Na abertura do festival, Marcelo Gleiser e Daniel Goleman puxam reflexão sobre os limites da inteligência artificial, enquanto o Lounge Coeficiente Feminino debate liderança, carreira e empreendedorismo em tempos de transformação
O São Paulo Innovation Week 2026 começou nesta quarta-feira, 13 de maio, em São Paulo, reunindo cientistas, executivos, empreendedores, lideranças femininas e especialistas de diferentes áreas para discutir os caminhos da inovação, da tecnologia e do impacto social. Com a expectativa de receber milhares de visitantes ao longo de três dias, o festival abriu sua programação com debates que mostram que o futuro não será definido apenas por máquinas, algoritmos ou novos modelos de negócio, mas pela capacidade humana de dar sentido, ética e propósito às transformações em curso.
Na plenária de abertura, o físico Marcelo Gleiser conduziu uma reflexão sobre ciência, inteligência artificial, recursos naturais e os limites da tecnologia. Para ele, a ciência teve papel decisivo na ampliação da qualidade de vida, mas os avanços precisam vir acompanhados de consciência sobre o planeta e sobre o que diferencia seres humanos de máquinas. “A função da ciência é aliviar o sofrimento humano. Em menos de 100 anos, a expectativa de vida dobrou graças à medicina, ao saneamento, à inovação, aos medicamentos e às vacinas. A vida na Terra nunca foi melhor do que agora, mas esse avanço exige uma relação mais consciente com os recursos naturais”, afirmou.

Gleiser também chamou atenção para o momento de inflexão provocado pela inteligência artificial. Segundo ele, a humanidade passou a dividir a construção de narrativas com máquinas capazes de processar informações e produzir histórias, mas que seguem desprovidas de experiência, afeto e consciência. “Estamos passando por um ponto de inflexão. Contamos nossa história com máquinas que também contam histórias, e a percepção do que é real ou não está cada vez mais difícil de destrinchar. Mas máquinas não têm capacidade de afeto: a inteligência artificial pode até entender, mas não sente”, disse.
Na sequência, Daniel Goleman, autor do best-seller Inteligência Emocional, aprofundou a discussão sobre aquilo que permanece essencialmente humano em um mundo cada vez mais mediado por tecnologia. No painel “Inteligência emocional: a habilidade que vai definir o futuro humano”, Goleman defendeu que empatia, consciência, compaixão e conexão emocional serão diferenciais decisivos para pessoas, empresas e lideranças. “Nós humanos não podemos perder essa habilidade”, afirmou.
Para Goleman, a inteligência emocional não é apenas uma competência individual, mas uma ferramenta para transformar ambientes de trabalho e relações corporativas. “Eu vejo a inteligência emocional como uma forma de humanizar as empresas”, disse. Ele também destacou a importância do autoconhecimento e do cultivo da mente em um contexto marcado por excesso de estímulos, dependência tecnológica e relações cada vez mais intermediadas por telas: “Precisamos cultivar esse estado mental para fazer esse trabalho interno melhor.”

Enquanto Gleiser apontou que máquinas podem processar informações, mas não sentem, Goleman reforçou que o futuro humano dependerá justamente das capacidades que a inteligência artificial não consegue reproduzir: empatia, vínculo, cuidado genuíno e compreensão do outro. A combinação dos dois debates marcou o tom da abertura do SPIW, posicionando a inovação não como um fim em si mesma, mas como uma agenda que exige consciência, responsabilidade e humanidade.
Essa mesma perspectiva atravessou a programação do Lounge Coeficiente Feminino, que trouxe debates sobre empreendedorismo, carreira, liderança e protagonismo feminino. No painel “Empreender ou escapar — o que está por trás da escolha”, Carol Celico, Vivi Duarte e Cecília Ribeiro discutiram o empreendedorismo como uma via de liberdade e realização, mas também como uma jornada marcada por medo, exposição, escolhas difíceis e construção de times.
Cecília Ribeiro destacou que empreender envolve unir impacto social, realização pessoal e resultado financeiro. “Empreender, para mim, representa o encontro exato entre gerar um impacto positivo e real na sociedade e alcançar a realização pessoal e financeira. É sobre construir negócios que transformam vidas e escolher parceiros que comunguem da mesma essência”, afirmou.
Vivi Duarte reforçou a importância da marca pessoal, das conexões genuínas e da preservação dos próprios valores na condução de um negócio. “Quando lideramos um negócio com propósito, o nosso maior desafio diário é ter clareza sobre quais batalhas devemos enfrentar sem comprometer a nossa essência. No fim do dia, tudo é negócio, mas o nosso protagonismo e os nossos valores são inegociáveis”, disse.
Já Carol Celico abordou os desafios da liderança e a importância de construir uma cultura corporativa vivida na prática. “Não adianta tentar impor uma cultura corporativa se os colaboradores não a sentirem e não acreditarem nela genuinamente. A única forma de consolidar os valores de uma empresa é vivendo essa verdade na prática, lado a lado com um time diverso, no dia a dia da operação”, afirmou.

O Lounge Coeficiente Feminino também discutiu as novas formas de construir trajetórias profissionais. No painel “Trajetórias Múltiplas: temos carreiras não lineares e tá tudo bem”, Rafa Brites, Carolina Vital e Andrea Cruz defenderam que a carreira contemporânea deixou de seguir um caminho único e previsível. A pluralidade de experiências, as pausas, as mudanças de rota e as escolhas ligadas à maternidade e à vida pessoal passaram a compor repertórios profissionais mais ricos.
“O momento mais importante da minha trajetória é sempre o próximo. Cada passo, cada mudança de rota, me transforma como mulher, cidadã e mãe. Hoje, compreendo com clareza que o que antes parecia imprevisibilidade é, na verdade, repertório. Quanto mais diversa for a sua bagagem, melhor e mais preparado você estará”, afirmou Rafa Brites.
Andrea Cruz destacou que a transição deixou de ser exceção no mercado de trabalho. “A carreira não linear deixou de ser a exceção e passou a ser a regra no atual mercado de trabalho. Para navegar nesse cenário de transição, não podemos perder a nossa espontaneidade na tentativa de caber em espaços que não são nossos. A necessidade de ‘ser escolhida’ precisa ser urgentemente substituída pelo poder de escolher os próprios caminhos”, disse.
Carolina Vital, por sua vez, defendeu que a circulação entre empresas, setores e experiências fortalece tanto profissionais quanto organizações. “A movimentação entre diferentes empresas e setores é algo extremamente positivo e enriquece ambas as partes. A flexibilidade de circular pelo mercado constrói profissionais mais diversos. Quando você tem clareza de onde quer chegar, consegue calcular a rota com precisão e se posicionar em espaços verdadeiramente estratégicos”, afirmou.
Também no Lounge Coeficiente Feminino, o painel “Crescer em meio ao caos geopolítico e transformações aceleradas” ampliou a discussão sobre liderança em ambientes de incerteza, instabilidade global e mudanças rápidas. A conversa reforçou a necessidade de lideranças capazes de tomar decisões em cenários complexos, preservar valores e construir caminhos de crescimento em meio à aceleração tecnológica, econômica e social.
Logo no primeiro dia, o SPIW colocou no centro do debate algumas das principais perguntas contemporâneas: como preservar a humanidade diante da inteligência artificial, como cultivar empatia em ambientes cada vez mais tecnológicos, como liderar com propósito, como aceitar trajetórias profissionais menos lineares e como transformar inovação em impacto real. A abertura do festival mostrou que o futuro não será apenas tecnológico. Será, sobretudo, humano.
Sobre o São Paulo Innovation Week (SPIW)
O São Paulo Innovation Week (SPIW) nasce como um dos principais festivais de inovação do país, aproveitando a força de São Paulo como um dos grandes hubs globais do setor. Realizado de 13 a 15 de maio de 2026, no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento deve reunir mais de 90 mil participantes em uma programação que conecta líderes empresariais, empreendedores, investidores, acadêmicos e representantes do poder público. Com uma agenda estruturada em múltiplas trilhas — como inteligência artificial, transição energética, economia digital, cidades inteligentes e futuro do trabalho — o SPIW se posiciona como uma plataforma de conteúdo, conexões estratégicas e geração de negócios, refletindo o peso econômico e a capacidade de inovação da maior cidade da América Latina.
O SPIW conta com grandes patrocinadores e parceiros como Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, GWM, Stellantis, Vale, Sabesp, Rede Américas, FNT Telecomunicações, BAT Brasil, Fiesp, Senai, Ade Sampa, Prodam, SP Negócios, InvestSP, FAAP, Faesp, Apex Brasil, Basf, Einstein Hospital Israelita, Febraban Tech e Suzano. Parceria de tecnologia de Oracle, Meta, Motorola, PD7 Tech e Resecurity. A realização é da Base Promoções, do Estadão e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet.
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