Mais um ano, as malas prontas para a Riviera Francesa e aquela clássica sensação de “déjà vu” misturada com alguma ansiedade. No dia exato, faltando um mês para o maior evento de criatividade do mundo, me deu vontade escrever sobre quais as perspectivas e as minhas expectativas pra esse ano.
Cobrir o Cannes Lions pela terceira vez consecutiva pelo creativosbr é um privilégio, mas também um ótimo exercício de cinismo saudável: a gente vai sabendo exatamente o que é sinal de mudança real e o que é apenas o hype da vez embalado em um mar rosé. Quase que literalmente, até?!
Para os meus alunos e para quem me acompanha aqui (embora faça um tempão que eu não escrevo – Vida corrida, meus amigos!), já adianto que o Festival deste ano promete menos susto com as tecnologias e muito mais cobrança sobre o que estamos, de fato, entregando com elas. E que bom, né! Porque ano passado teve susto demais.
A grande piada dos últimos dois anos era o desespero do mercado com a inteligência artificial roubando empregos. Aliás, se tu abrir um micro-ondas, alguém surgirá falando a mesma coisa. Mas tenho recebido muitos boletins, lido muito sobre o evento desse ano e parece que vem coisa boa, viu?!
Em 2026, o Festival transformou a IA em critério técnico com a nova subcategoria AI Craft. Eu diria que o experimentalismo tosco rodado em gerador de imagem gratuita perdeu o encanto. O sarrafo subiu. Claro, nunca foi sobre isso! O Jorge Ricardo, nosso Diretor de criação aqui do creativosbr, já fala isso faz um tempão. Agora, a organização quer ver “artesanato digital” de alto nível e execução impecável. É a prova de que a tecnologia só é boa se quem estiver no comando souber o que está fazendo.
Quem parece que vai ganhar ainda mais tamanho no país do bom croissant é a tal da Creator Economy. O espaço LIONS Creators cresceu e deve mostrar, de uma vez por todas, que a discussão superou aquela fase de “contratar influenciador para fazer dancinha”. O buraco agora é mais embaixo: os criadores viraram a própria infraestrutura de comércio e distribuição. Mudou o rolê de quem cria conteúdo. Para as marcas, o desafio não é mais comprar espaço no canal de alguém, e sim entender como não parecer um intruso chato em ecossistemas que faturam bilhões de views.
A curadoria do evento este ano resolveu apelar para o peso pesado da cultura e dos negócios. Ver Oprah Winfrey receber o LionHeart e subir ao palco do Lumière promete ser aquele momento de parar o Festival para lembrar o mercado de como se constrói uma conexão humana de verdade. Vai ser bacana! Quero estar lá pra ver, até porque, gosto dela.
Ao mesmo tempo, ter Demis Hassabis (Google DeepMind) e a estilista Stella McCartney dividindo atenções mostra que Cannes virou uma grande arena onde tecnologia de ponta e sustentabilidade real precisam coexistir — ou pelo menos fingir muito bem. Também manjam disso, por lá. (Eu, por exemplo, me passo por milionário tomando IPA de 300 ml a 28 euros).
Para não dizerem que o Festival é só festa e glamour na Côte d’Azur, o contrapeso vem com o pessoal da eficácia. O palco Creative Impact vai colocar nomes como Mark Ritson e Byron Sharp para ditar as verdades fundamentais do marketing. É o banho de água fria necessário para lembrar as agências de que ideias brilhantes precisam, obrigatoriamente, pagar os boletos, gerar ROI e movimentar o ponteiro dos negócios. Cliente quer campanha que vende. Se for criativa, melhor ainda. Sempre digo isso em sala de aula.
No final das contas, a perspectiva para esta edição é a busca pela maturidade operacional e em alguma cobrança por consistência. Meu desejo é, assim como no ano passado, voltar com a bagagem cheia de insights — e, espero, pouca insolação — para desmistificar tudo isso em sala de aula e mostrar o que realmente importa para o futuro do nosso mercado. Fiquem de olho na cobertura do creativosbr!
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