Este talvez tenha sido o mês mais fraco em volume do ano até aqui. Talvez em função da ressaca da Copa do Mundo ou mesmo por uma menor qualidade das campanhas. Nem mesmo o Dia dos Pais ajudou a melhorar esse cenário.
Neste mês, selecionei nove filmes que se destacam pela qualidade, bem menos do que em outros meses, mas isso não diminui a força do trabalho criativo. Do melhor trabalho do mês, o filme de lançamento da Inteligência Artificial do Itaú, a outros três ouros de ótima qualidade. Um destaque especial para o filme da Fiat, criado pela Leo, para celebrar os 50 anos da marca no Brasil.
Depois de sete meses desta pesquisa, fica cada vez mais claro que esse papinho de que não se fazem comerciais como antes é muito mais saudosismo do que realidade. O exercício também me deu uma visão muito interessante da produção criativa no Brasil neste ano, e posso afirmar que o nível do que temos até aqui é muito bom.
Como sempre faço, apresento minha crítica classificando os filmes entre ouro, prata e bronze e defino aquele que, para mim, foi o melhor do mês com o Grand Prix. Gostei de ver também duas agências que ainda não haviam aparecido neste levantamento: Filadélfia e Nation entram pela primeira vez nas minhas escolhas.
Bronze
A menina no espelho – Delboni – agência Nation
Um trabalho que me encantou pelo uso da animação e de pequenos detalhes para falar da apreensão que todos temos quando nossa saúde está em jogo. As vezes não nos damos conta de que exame médicos geram toda uma carga de apreensão.
Gosto do cuidado de transformar uma mulher numa menina, até que ela se sente segura, olhando para o espelho. O texto pontua bem: “você precisa de um lugar onde se sinta segura, se sinta acolhida e se sinta bem”, para fechar com um posicionamento claro: confiança que se sente.
Simples, bem-feito e funcional. Boa propaganda que não inventa, entrega o resultado que o cliente busca.
Bronze
Entregas cortadas – Marluvas – agência Filadélfia
Uma dura realidade para motociclistas é o risco do cerol, prática comum no Brasil de usar uma mistura cortante nas linhas das pipas que são soltas pelo país afora.
Num país que chega a ter 485 mil entregadores de delivery, a ideia criativa da Agência Filadélfia não poderia ser melhor: entregar o lanche pela metade. A ação reforça a força de um importante conceito: “a pior época para ser um entregador”.
A mistura de matérias e depoimentos de sobreviventes, somada à reação dos consumidores que recebem seu lanche pela metade, reforça a luta contra o cerol, lembrando bem, que essa prática é um crime.
Bronze
Popeyes Minis – Letras Miúdas – Popeyes – Almap BBDO
Um bom filme promocional feito para parecer artesanal, que brinca com a coisa mais chata de toda promoção: a regulamentação, as famosas letrinhas miúdas. O tempo que os dois protagonistas dão para a leitura, o balanço da câmera e a infinidade de sons dão o tom bem-humorado da peça. Fechando com as falas: “produção” e “a gente tem que ficar esperando aqui”, que tornam o conteúdo ainda mais inusitado.
Mas a dose de humor segue no texto das letras miúdas, que é muito bom: têm direito ao valor promocional duplas de amigos que tiverem mini tatuagens iguais pelo corpo, com até 5 centímetros (podem ser traços reais, de hena, ou desenhos feitos de canetinha ou figurinha de chiclete), ou amigos que tenham vínculo de amizade de, no mínimo, 6 ou 7 anos – para provar, é necessário “registro fotográfico, conversa, publicação de redes ou depoimentos de terceiros”, e eles devem chegar “juntos na loja” fazendo o cumprimento “Six Seven”.
Bronze
The Sweets, sua skin na era idol – Avon – VML Brasil
O filme da Avon para o lançamento The Sweets é destaque, em parte por não entender nada sobre este universo. Precisei pesquisar para entender, que o trabalho da VML Brasil conecta beleza, música e cultura pop, o cotidiano destas consumidoras e assim me conquista.
O universo do K-Beauty, abreviação para Korean Beauty (beleza coreana), forte relação com o K-pop, uma comunicação que fala diretamente com seu público. Numa linha maquiagens inspiradas em sobremesas e a edição limitada da Avon Renew Máscara de Colágeno, a direção de arte mistura dancinhas, produto e sobremesas.
Gosto da escolha das três modelos, ampliando os estilos, um filme indecifrável para muitos de nós, mas que fala direto com as consumidoras, apresentando o conceito e principalmente trazendo este público para a marca.
Prata
Ponte Segura – Jornalismo Globo – Equipe de comunicação da Globo
Num ano tão importante como este, em que vamos escolher um novo presidente, este filme do Jornalismo da Globo presta um grande serviço.
Com imagens fortes de bastidores, que têm como base a credibilidade de um grande time de profissionais muito conhecidos e experientes, o texto dá conta do recado: “muito do que vemos pode parecer real”, ou “parece que aconteceu, mas é falso”, ou ainda “parece um fato, mas não é”, e caminha para o conceito: “assista, ouça, leia, confie no jornalismo profissional”.
Um recado importante, que acaba reforçando o conceito: “Jornalismo Globo. Uma ponte segura entre fatos e pessoas.”
Ouro
A última carta do Rei – Elo – Almap BBDO
Gosto deste filme pois ele me passa a ideia de que o time da AlmapBBDO pensou num filme tanto para o sucesso quando para mais um insucesso. Como o texto de Pelé diz: “Eu não sei o que nos faz sermos tão loucos por futebol”, este é o grande desafio agora.
Os outros torcedores de outros países não entendem nosso sofrimento. Penso que nem nós mesmos entendemos. O filme sobre trazer este ponto no momento certo.
Trilha, imagens, a voz provavelmente em IA do nosso maior jogador, e as imagens, da escolha de um garoto voltando ao campinho de terra, a das pessoas lendo a carta. Gosto do conceito de materializar a carta, e gosto de termos basicamente Pelé nas imagens. Hoje falta identidade, então buscar nossa maior referência é normal.
Importante a base do planejamento de buscar a resposta: “ou por esquecer de todos os problemas que enfrentamos, nem que seja por apenas noventa minutos”, algo forte é bem característico do nosso povo. Fechando com o sonho continua nossa torcida é nosso Elo.
Ouro
50 anos de Brasil – FIAT – Leo
Um filme de 50 anos já é um filme legal por natureza, mas o time da Leo e da Fiat capricharam nas cores. Gosto da direção de arte que lava as imagens para que tudo pareça antigo, que traz o passado para contar o presente desde a empena no prédio que é antiga, mas traz o conceito: se você nasceu para vencer, compre Fiat.
A escolha da trilha musical não poderia ser mais adequada, o clássico “Da Janela Lateral” de Lô Borges e Fernando Brant já traz a mineirice que é parte da história da marca, que pelo menos no Brasil nasceu lá.
A escolha das ruas, das igrejas, tudo lembra minas, mas o filme vai crescendo e assumindo conquista, tudo visto da janela de um Fiat. Vemos modelos históricos e conquistas, e vamos ganhando o Brasil. Algo muito especial para uma marca que em 1976 entrou num mercado onde outras 3 montadoras dominavam, para buscar sua fatia e acabou chegando a liderança.
Um filme que não fala em nenhum momento da Itália, e talvez muita gente não saiba, mas estamos falando da Fábrica Italiana de Automóveis Torino, mas que nasceu Fiat no Brasil desbravando mercado até a liderança.
Ouro
Come Quieto – Burger King – Almap BBDO
Gosto muito de comunicação e varejo, e este filme da AlmapBBDO para o Burger King, no lançamento do King Cheese, vende o conceito e ainda comunica a promoção com muita eficiência.
A ideia criativa de explorar a mineirice, seja pelo gosto do queijo, seja pela linguagem: “tem base um trem desse, velho”, “me vê um King Cheese, uai”, ou mesmo pelo conceito de que nem mineiro come quieto, é pontuada por imagens que reforçam os ingredientes e destacam a promoção de três dias, uma ferramenta correta para ampliar a degustação.
Grand Prix + Ouro
IA.I – Itaú – Africa Creative
Comunicação é um processo que deve ser contínuo, e este trabalho da Africa Creative para o Itaú, no lançamento da Inteligência Artificial do Itaú, Ia.I, é um bom exemplo disso. Já gosto do nome Ia.I. É muito bom quando ouvimos a narrativa: “Iai” é do mesmo jeito que começa toda boa conversa.
A delicadeza de começar a conversa sem trilha, que depois vai crescendo para o dedilhado do violão até chegar a uma trilha tradicional do banco, exatamente quando o texto fala de intimidade. Tudo no filme passa tranquilidade e segurança a partir do relacionamento. Gosto demais do uso de expressões que já povoam a comunicação do banco: “fui feito pensando em você”, “eu sou feito por você” e “ainda tenho muito para fazer com você”. Isso sem contar com: “eu não sou só uma IA” ou, o melhor para mim: “não sou um bot, sou um banco inteiro”. Para fechar com: “E aí, futuro… vamos conversar”.
Lembro sempre que esta é uma análise pessoal. Estabeleci algumas regras e venho selecionando filmes veiculados em qualquer plataforma desde o começo do ano. Fique à vontade para me enviar o link de algum filme de que tenha sentido falta nesta lista.
Se quiser conferir as seleções de janeiro a julho, é só buscar minhas colunas aqui no CreativosBr.
Gostou do conteúdo? Acesse nossa home e veja mais.
Acompanhe também nosso perfil nas mídias sociais.




