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Fonte: Reprodução site sxsw.com

O SXSW aos 40, por Fabio Lyra

Ir ao SXSW pela primeira vez justamente na edição de 40 anos é quase como chegar numa festa quando ela já virou tradição. Você não chegou no começo, mas sente que a coisa toda tem muita história boa a ser desvendada.

E, claro, como para tudo que envelhece, dizem que não é mais como antes. Alguns torcem o nariz, falam que perdeu frescor, que ficou corporativo demais. E não digo que isso possa ter um fundinho de verdade, mas, convenhamos, chegar aos 40 ainda relevante não é nostalgia, é consistência. 

O SXSW continua respirando tendências, falando de negócios e, acima de tudo, ainda pulsa muita, muita cultura local. Hoje, claramente tem mais marcas, mais negócios, mais networking do que talvez tenha tido há 40 anos, mas também tem algo difícil de passar despercebido: a capacidade de juntar gente interessante discutindo o que realmente importa agora.

Bom, se tem um assunto que virou quase trilha sonora do evento, é a tal da inteligência artificial. Nessa edição entendi que a IA virou um campo de batalha. De um lado, os otimistas que expõe a IA como ferramenta, extensão do humano e de produtividade. Do outro lado, a turma inquieta que traz o lado da filosofia, da ética, do impacto social e mostra aquele leve desconforto de quem percebe que talvez a ferramenta esteja começando a redesenhar o próprio usuário.

É curioso como esse debate ganha sentido quando você senta num painel com Vince Gilligan. Ouvir o criador de Breaking Bad, Better Call Saul e sobre a mais nova obra Pluribus, falando sobre processo criativo, humanidade e narrativa foi quase um contraponto à automação. Mas ele não apresentou um discurso anti-tecnologia. Ele estava lá com um mero lembrete de que boas histórias ainda dependem de sentimentos que não se automatizam.

Caminhando para o outro extremo, o sempre provocador Scott Galloway trouxe aquele banho de realidade geopolítica que corta o entusiasmo tech pela raiz. Em vez de falar de startups ou de growth, ele veio com uma grande provocação mostrando um panorama pesado com o imperialismo moderno, as tensões com a China e a Rússia, e um jogo estratégico onde guerra, energia e economia dançam juntos. 

Agora, se tem um lugar onde o SXSW ainda escapa de qualquer análise provocativa, densa e séria, é na música. E talvez aí esteja a sua maior força. É o momento onde todos conseguem se desconectar dos painéis por algumas horas. Descobrir bandas como a Knats e a Azamiah, de jovens garotas e garotos surpreendentes, é lembrar que este é o motivo original do festival existir. 

No fim, o SXSW continua sendo sobre encontros, e esse é talvez o maior clichê. Reencontrar amigos, esbarrar em brasileiros em cada esquina, trocar ideia com gente desconhecida que acaba parecendo velhos amigos em cinco minutos. É sobre energia, difícil de explicar. Algo que não aparece na programação oficial.

Então, sim, talvez o Festival esteja diferente. Mas talvez a pergunta mais honesta aqui seja: a gente também não está?

Porque o SXSW aos 40 não parece estar tentando ser jovem de novo. Só continua muito curioso. 

Por: Fabio Lyra

Diretor de Contas, ASIA

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