- Iniciativa reúne Instituto Maria da Penha, NO MORE Brasil, Senado Federal, Grupo Mulheres do Brasil e Gênero e Número para mobilizar a sociedade de maneira constante até 2035;
- Campanha “Somos Maiores que a Violência” foca no reconhecimento dos diferentes tipos de violência contra a mulher, em como agir diante dessas situações e na importância de encarar o problema de responsabilidade coletiva;
- Dados revelam uma enorme distância entre vivenciar e reconhecer a violência e mostram que seis em cada dez brasileiros não sabem como ajudar uma mulher em situação de violência.
Mais de 24 milhões de brasileiras não conseguem reconhecer e nomear violências domésticas e familiares vivenciadas. Além disso, seis em cada dez brasileiros não têm informação suficiente para ajudar uma mulher em situação de violência. Os dados alarmantes fazem parte, respectivamente, da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher (2025), do DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), cujos dados integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, e do Índice de Conscientização sobre Violência contra a Mulher 2025 do Instituto Natura e da Avon.
Para combater essa lacuna estrutural de informação e conscientização, que colabora para que o Brasil mantenha uma média de mais de quatro mulheres mortas por feminicídio ao dia há seis anos, conforme dados do Ministério da Justiça, o Instituto Natura e a Avon anunciam, neste Agosto Lilás, mês de conscientização sobre a causa, a criação do Movimento Pela Vida das Mulheres, com o objetivo de ampliar a capacidade da sociedade de reconhecer a violência e saber como agir. A iniciativa é construída com o apoio e a participação do Senado Federal, Gênero e Número, Grupo Mulheres do Brasil, Instituto Maria da Penha e NO MORE Brasil.
Com o objetivo de atuação até 2035, o Movimento pretende ampliar a capacidade da sociedade de reconhecer e nomear as diferentes formas de violência contra as mulheres, de saber como agir de maneira responsável e segura e de reconhecer este problema social como uma responsabilidade coletiva, inclusive dos homens. Para isso, o lançamento da campanha “Somos Maiores que a Violência”, criada pela Avon e pelo Instituto Natura e apoiada pelas organizações que integram o Movimento, marca o início da mobilização pública.
A campanha de conscientização dá continuidade ao trabalho iniciado em 2025 com “Chame pelo Nome”, que convidou a sociedade a reconhecer violências muitas vezes naturalizadas ou invisibilizadas, como a moral e a patrimonial. Neste ano, a campanha amplia o chamado, reunindo reconhecimento e ação: além de ajudar a nomear as diferentes formas de violência, apresenta orientações sobre como apoiar uma mulher de maneira responsável e segura.
“Proteger a vida, a dignidade e os direitos das mulheres é um compromisso permanente do Estado brasileiro e de toda a sociedade. Quando diferentes instituições unem conhecimento, capacidade de mobilização e responsabilidade pública, damos um passo importante para transformar conscientização em prevenção e proteção”, diz o presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre.
Além disso, o objetivo do Movimento é que a agenda de conscientização seja permanente e não restrita a datas simbólicas nem dependente apenas da reação a casos extremos.
“O Movimento surge da sólida trajetória do Instituto Natura e da Avon na promoção dos direitos e da saúde das mulheres no Brasil e na América Latina, unindo-se à expertise de organizações especializadas em defesa de direitos, mobilização social e articulação comunitária. Ao investir no enfrentamento à violência de gênero, estamos investindo na dignidade humana e no futuro da nossa sociedade”, diz Cecília Ribeiro, Diretora de Avon na América Latina.
Violência persiste e sociedade ainda não sabe como agir
Segundo a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher de 2025, cujos dados integram o Mapa Nacional da Violência de Gênero, apenas 4% das brasileiras declaram espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores ao levantamento, o equivalente a aproximadamente 3,7 milhões de brasileiras com 16 anos ou mais. No entanto, quando questionadas sobre 13 situações concretas de violência física, psicológica, sexual, moral e patrimonial, 33% relataram ter vivido ao menos uma delas, o equivalente a cerca de 29 milhões de brasileiras. Isso significa que cerca de 24 milhões de brasileiras somente identificaram a violência sofrida quando estimuladas a reconhecer experiências específicas.
A enorme distância entre os dois resultados revela que, para milhões de mulheres, a violência ainda não é reconhecida e nomeada como tal por milhões de mulheres que vivenciam situações concretas de agressão, controle, humilhação e restrição de direitos. Além disso, 8 em cada 10 brasileiras com 16 anos ou mais afirmam conhecer pouco ou nada sobre a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026. Ou seja, duas décadas depois de sua aprovação, a principal legislação brasileira de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres ainda não é suficientemente conhecida por grande parte da população que ela busca proteger.
“Às vésperas dos 20 anos da Lei Maria da Penha, ainda há milhões de mulheres que vivem situações concretas de violência sem reconhecê-las como tal, enquanto grande parte da sociedade não sabe como ajudar. Isso mostra que ter uma lei forte é indispensável, mas não suficiente. Precisamos fazer com que a informação chegue às pessoas, que as diferentes formas de violência sejam reconhecidas e que cada mulher saiba que tem direitos e pode contar com uma rede de proteção. Enfrentar a violência contra as mulheres é uma responsabilidade de todas e todos nós.”, diz Maria da Penha, inspiradora da Lei Federal 11.340/06 e Fundadora e Presidente de Honra do Instituto Maria da Penha.
Essa dificuldade de reconhecimento também limita a capacidade de resposta da sociedade. O Índice de Conscientização sobre a Violência contra as Mulheres, ferramenta do Instituto Natura e da Avon que mede e acompanha percepção, conhecimento e atitude da população diante da violência contra as mulheres no Brasil e em outros cinco países da América Latina, evidencia que ainda existe uma distância significativa entre perceber o problema e saber como agir. No levantamento de 2025, 62% afirmou não ter informação suficiente sobre leis, formas de violência e canais de denúncia e apoio para ajudar uma mulher em situação de violência. Os resultados também revelam lacunas no conhecimento sobre as leis, os serviços disponíveis e as diferentes formas de violência doméstica e familiar.
“Quando mais de 24 milhões de mulheres somente reconhecem a violência depois de serem apresentadas a situações concretas, fica evidente que ainda temos um enorme desafio de conscientização. Aquilo que não é reconhecido nem nomeado dificilmente pode ser enfrentado. O Movimento nasce para mudar essa realidade: queremos que cada vez mais pessoas saibam reconhecer a violência, dar nome ao que acontece, importar-se e agir de maneira responsável e segura”, afirma Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil.
“O Grupo Mulheres do Brasil acredita que o enfrentamento à violência contra as mulheres só será efetivo quando toda a sociedade compreender que essa não é uma responsabilidade apenas das vítimas ou do poder público, mas de cada um de nós. Ao integrar o Movimento Pela Vida das Mulheres, reforçamos nosso compromisso de mobilizar pessoas, empresas e comunidades para reconhecer os sinais da violência, romper o silêncio e agir de forma responsável e segura. O abuso prospera na omissão, no desinteresse e na conivência. Quando a sociedade se informa, se posiciona e age, salvamos vidas.”, afirma Alexandra Segantini, CEO do Grupo Mulheres do Brasil.
Sobre o Instituto Natura
Fundado em 2010 no Brasil, o Instituto Natura é uma organização sem fins lucrativos que atua pela transformação sistêmica da realidade social na América Latina. Viabilizado pela venda de produtos sociais como o Natura Crer Para Ver e as Ofertas do Bem Avon e presente na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru, organiza sua atuação em três causas estratégicas: Educação, com foco na alfabetização na idade certa, no fomento ao Ensino Médio e no fortalecimento de todo o ecossistema necessário para uma escola de qualidade; Desenvolvimento Integral das Consultoras de Beleza Natura e Avon, com ações multissetoriais voltadas para este grupo, agente de transformação em suas comunidades; e, desde 2024, Direitos e Saúde das Mulheres, agenda que é realizada em parceria com a Avon e foi incorporada a partir da integração com o Instituto Avon, que atuava há mais de 20 anos com iniciativas pelo cuidado com a saúde das mamas e fim da violência contra as mulheres. Em articulação com governos, sociedade civil e setor privado, o Instituto Natura apoia a formulação e implementação de políticas públicas de impacto sistêmico e duradouro e promove ações e campanhas de conscientização dentro da causa das mulheres, sempre apoiada pela Avon.
Sobre a Avon
Fundada em 1886 com o propósito pioneiro de promover a autoestima e a emancipação feminina, a Avon consolidou-se como uma das maiores referências globais em beleza. Parte do grupo Natura desde 2020, a marca opera sob o modelo de Femtech desde 2026— uma ‘startup do feminino’ que funde seu legado de mais de mil patentes a uma estrutura ágil e cultura digital-first. Com gestão majoritariamente feminina e estratégia unificada do México à Argentina, a Avon foca na geração de valor e na democratização de tecnologias de alta performance, como o exclusivo Protinol e o Retinol. Sua operação omnicanal integra o social selling de 1,5 milhão de Consultoras de Beleza a uma rede de e-commerce e mais de 1.200 pontos de venda em varejistas multimarcas.
Sobre o Senado Federal
O Senado Federal é uma das instituições centrais da democracia brasileira. Além de exercer suas funções constitucionais de legislar e fiscalizar, promove a produção de conhecimento e evidências para subsidiar o aperfeiçoamento das políticas públicas e fortalecer o controle social. Nesse contexto, a Secretaria de Transparência, órgão vinculado à Presidência do Senado, reúne o Instituto de Pesquisa DataSenado e o Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), responsáveis por iniciativas de referência nacional, como a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, a maior e mais longeva série histórica sobre o tema no país, e o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Por meio de Acordo de Cooperação Técnica com o Instituto Natura, o Senado Federal ampliou o alcance dessa atuação, reunindo a produção de evidências e a capacidade de mobilização social em torno de um objetivo comum. A parceria viabilizou o desenvolvimento do Mapa Nacional da Violência de Gênero e fortalece a divulgação da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, contribuindo para ampliar o acesso da sociedade a informações qualificadas e apoiar o enfrentamento da violência contra as mulheres.
Sobre o Grupo Mulheres do Brasil
Criado em 2013 por 40 mulheres de diferentes segmentos e presidido pela empresária Luiza Helena Trajano, o Grupo Mulheres do Brasil é uma rede política e suprapartidária que reúne mais de 140 mil voluntárias espalhadas por núcleos no Brasil e no exterior. Com o objetivo de engajar a sociedade civil na conquista de melhorias para o país e estimular o protagonismo feminino, o movimento atua por meio de comitês temáticos em causas estratégicas, tendo o combate à violência contra mulheres e meninas, a igualdade racial e as políticas públicas como prioridades. Nesse contexto, seu Comitê de Combate à Violência atua de forma nacional e internacional para acelerar o fim da violência de gênero por meio de ações estruturadas em quatro eixos centrais: conscientização e prevenção, apoio e acolhimento, promoção da autonomia financeira e incidência em políticas públicas. Em articulação com diversos setores da sociedade, o Grupo desenvolve campanhas de mobilização, fortalece redes de proteção e amplia o acesso de mulheres em situação de vulnerabilidade à informação e aos seus direitos fundamentais.
Sobre os demais parceiros do Movimento Pela Vida das Mulheres
A NO MORE tem atuação global e lidera no Brasil a campanha de mobilização nacional “Feminicídio Nunca Mais”. O Instituto Maria da Penha é uma organização da sociedade civil fundada por Maria da Penha Maia Fernandes e atua na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento à violência doméstica e familiar. A Gênero e Número traz a força do jornalismo orientado por dados e pesquisas, qualificando o debate e fundamentando o conhecimento sobre os direitos das mulheres no Brasil.
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