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Fonte: unsplash

As pessoas estão sentindo falta de você

Vivemos cada vez mais no virtual: em reuniões de vídeo, grupos de WhatsApp, mensagens de texto e áudio. Nem todos percebem, mas estamos sacrificando nossa percepção. Quando estamos presenciais no escritório, a comunicação é mais rica, pois observamos o corpo, as expressões faciais e o tom de voz. Já um texto é frio e não nos permite ir além. A gentileza do “bom dia”, um café que tomamos juntos ou mesmo um bate-papo sobre uma série, uma notícia ou simplesmente sobre o trânsito acaba revelando muito mais de nós do que uma digitação.
Isolados em nossas bolhas de solidão, olhamos para o mundo a partir do nosso umbigo. É natural: estamos sempre buscando a nossa comodidade, mas penso que podemos estar criando padrões de comportamento que influenciam nossa vida. Listei três que observo no dia a dia e que me preocupam.

Nos comunicamos com prompts: hoje, o relacionamento no trabalho muitas vezes se dá por mensagens enviadas a todo momento. Eu mesmo já me vi mandando um texto para perguntar se uma colega havia lido um e-mail. Nossa linguagem assim se torna cada vez mais direta e, muitas vezes, rude.

Estamos menos presentes: vejo pessoas que sempre se desculpam por não estarem presentes. O conforto de casa e a companhia de seus pets se transformaram numa obsessão por evitar perrengues. Mas isso também afasta das pessoas que amamos e nos leva à solidão.

Falamos menos: passamos mais tempo sozinhos, e é natural que o número de conversas às quais somos expostos diminua. Com isso, vejo gente totalmente contrária ao contato direto. A mensagem de texto é sempre a prioridade; falar ao telefone é algo irritante. O resultado direto é que muitos, quando vão para o trabalho presencial, usam fones o tempo todo para evitar contato.

Sei que tudo isso está relacionado a como usamos a tecnologia, mas gosto de pensar sempre no diferencial humano. Sou apaixonado por nossa inventividade, pela capacidade que temos de criar coisas. Você já se deu conta de como somos criativos e como surpreendemos? Penso que não existe limite para a inventividade humana; todos os dias, alguns de nós desafiam as possibilidades, tentando fazer algo que alguém acreditava ser impossível. Nós buscamos sempre o conforto, sempre o mais fácil — e não existe erro nisso. Foi isso que nos fez melhores, mais adaptados, mais saudáveis, mais inteligentes.

O problema é que, muitas vezes, as novidades mudam nossos comportamentos. A tecnologia nos envolve como água: depois de um tempo dentro dela, não notamos mais sua influência.
Aprendi com David Foster Wallace que o peixe não entende a água onde foi criado, pois nasceu e viveu dentro dela. Enquanto uma tecnologia é nova, ela é percebida; quando se torna comum, não notamos mais seu impacto.

Estes três hábitos que relacionei acima são exemplos de comportamentos gerados a partir da adoção de tecnologias. A grande questão é que muitos deles podem nos trazer tristeza, infelicidade e solidão.
Vivemos num mundo com pessoas doentes que não sabem que estão doentes. Se você puder, reveja alguns de seus hábitos. Esteja presente nas reuniões de trabalho, participe ativamente. Se o papo for virtual, abra sua câmera. Você vai notar que as pessoas sentem muita falta de você.

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