Hoje vivemos muito expostos. Nossas ideias e opiniões estão ao alcance de muitos em um simples clique. Não é à toa que, com medo de críticas, nos escondemos cada vez mais em perfis nas redes que dizem muito pouco sobre nós.
Penso que isso é uma resposta à exposição.
Evitamos mostrar nossas ideias, nossas opiniões. Somos todos vítimas de uma polarização que transformou conversas em confrontos. E, sempre que olho para isso, penso no que ganhamos e no que perdemos.
Na reflexão desta semana, me lembrei de uma frase de um autor desconhecido de que gosto muito: “A sinceridade é como vidro: transparente, mas pode ferir. A discrição é como cristal: deixa passar a luz, mas não corta.”
Minha pesquisa me levou a outra versão publicada na revista Keraza: “Sincerity is like glass, and keeping secrets is like diamonds”, numa tradução livre: “A sinceridade é como vidro, e guardar segredos é como diamantes.”
As duas frases bebem da mesma fonte e me agradam muito. Pessoas discretas não constrangem ninguém.
Lembro de situações que vivi em que a discrição de queridos amigos me fez ver o quanto eles eram generosos. Eles parecem viver a vida de um modo mais seguro. Não precisam expor ninguém para conseguir algo. Eles simplesmente entenderam que não é preciso transformar cada desconforto em demonstração pública de poder.
Eles esperam em filas gigantes sem precisar perguntar a um atendente se ele sabe com quem está falando. Eles não precisam de um espaço VIP para dizer quem são.
Eles desistem de um evento ao perceber que, por um engano, não foram colocados na lista. Eles não precisam criar escândalos ou convencer alguém de que algum erro aconteceu. Eles voltam para suas casas, pois não precisam de nenhum tipo de confirmação de quem de fato são.
Conheço pessoas que se vangloriam de sua sinceridade. Entendem que isso é um mérito, algo que as diferencia. Confundem direito com obrigação. Como as duas frases acima nos ensinam, elas vão ferindo pessoas apenas pelo dever que pensam ter de organizar o mundo ao seu redor.
A elegância é prima-irmã da discrição. Gosto de pessoas que chegam falando baixo e que entendem uma situação difícil. Gosto de elogios públicos e repreensões privadas. Fiz disso uma prática na minha vida, pois já fui repreendido em público e sei o quanto dói. Mesmo estando errado, não foi legal ser exposto assim. Hoje entendo que a exposição corta, ela nos deixa menores e mais sensíveis.
Gosto de bilhetes que são enviados com agradecimentos em segredo. Eles falam muito mais, falam de generosidade. Um bilhete enviado diretamente é puro carinho. Em alguns casos, gosto de acrescentar um presente, algo especial que não precisa ser caro, mas que foi escolhido com muito cuidado.
Fazer uma pessoa se sentir especial é um verdadeiro presente.
Não espero mudar seu jeito de ser. Só te contar que resolvi, depois de velho, viver a vida de forma mais generosa. Sempre que posso, elogio e aprendi a esperar minha vez na fila, mesmo que exista um engano.
Boa semana.
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