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Fonte: Fotograma Sem Parar

Os melhores filmes publicitários de outubro na minha tela

Um mês que trouxe boas surpresas em formatos de vídeos verticais adaptados às redes, mas com estrutura de roteiro de um filme publicitário tradicional. No total, selecionei 10 filmes, mais ou menos dentro da média do que temos destacado mês a mês neste trabalho de coleta e avaliação. Algo que aponta para uma boa qualidade no mês.

Vale também destacar o uso de inteligência artificial. Não posso cravar, pois não temos indicações nas fichas técnicas, mas entendo que pelo menos três filmes da lista se valem bem da ferramenta para nos oferecer materiais de muita qualidade.  Especialmente quando pensamos em criar para um período temporal mais curto, como o Halloween, o uso da ferramenta parece oferecer uma boa condição para vencer as limitações de tempo e de orçamento.

Para você que já acompanha a coluna, seguimos com a classificação de bronze, prata, ouro e Grand Prix, com minha análise de cada produção. Com mais este mês, já selecionei 89 filmes que considero de alta qualidade, demonstrando mais uma vez que a qualidade de criação segue alta em nosso mercado.

Estreando na lista a partir de outubro, as agências: Milà, D’OM, AKQA, Monkey Land e a equipe de marketing do Sem Parar.

Bronze

Sorriso Juá & Hortelã – Sorriso – VML Brasil

É provável que esse filme tenha sido criado para uso apenas no Nordeste, e esse é, para mim, um dos seus méritos. Comercial regional não pode ser caricato. O sotaque precisa ser sutil, e é o caso aqui. A escolha do Homem da Meia-Noite, criado em 1932, o boneco mais antigo do Carnaval de Olinda, é uma referência para pernambucanos, algo que, para o consumidor de outras regiões, não terá tanto destaque.

Gosto da produção das imagens, fico na dúvida se usa inteligência artificial, e destaco o texto que amarra todo o conceito: “Sorriso lançou Juá e Hortelã e não teve calendário que segurasse minha curiosidade” ou “Sabor mais arretado que frevo e sombrinha, dá para se refrescar seja qual for a época”.

O comercial funciona para qualquer região do país, mas a assinatura “Seu sorriso com o sabor do Nordeste” não deixa dúvidas sobre onde ele terá mais destaque.

Bronze

Formiguinhas – Vivo – Africa Creative

Um filme correto, que entrega o pedido do briefing, e que dialoga com novos consumidores, que olham além da marca e do produto. A animação combinada com cenas reais ajuda a demonstrar bem esse compromisso e o serviço das lojas da marca.

A Vivo se destaca com esse cuidado, falando da reciclagem de produtos eletrônicos. O texto ajuda a quebrar a principal resistência do consumidor, que não percebe o quanto o processo geral compensa: “O trabalho é de formiguinha, o resultado é gigante”, ou o melhor dado: “232 toneladas já recicladas”.

Prata

Halloween Verisure – Verisure – Agência Milà

O filme aproveita o Halloween para destacar os serviços da Verisure, em uma criação da agência Milà.

O texto é muito bom, explorando o tema com expressões como “A entrevista é com vampiro” ou “Tem uma coisa que eu estou morta para saber”, e ajuda a criar uma ligação entre o vampiro e os serviços da Verisure: “Porque um vampiro só entra na casa de alguém se for convidado”. A resposta bem-humorada, “É trauma”, seguida de “Uma vez entrei sem permissão numa casa que tinha Verisure”, dá o tom da narrativa e abre espaço para demonstrar os serviços do cliente. Destaco a escolha e a direção dos atores, algo que, para mim, dá grande destaque ao filme.

Prata

Até as baratas vão ter medo de barata – Baygon – Ogilvy Brasil

Vender um inseticida num filme publicitário não é das tarefas mais fáceis. Ainda mais se pensarmos em usar baratas como protagonistas. Mas é exatamente esta a ideia criativa do filme: “Até as baratas vão ter medo de barata”, criado pela Ogilvy Brasil para a marca Baygon, da SC Johnson. Um material para mim que aproveita os recursos da Inteligência Artificial.

Aproveitando o Dia das Bruxas, com o conceito “Neste Halloween, até as baratas vão ter medo de barata”, a partir de uma adaptação de uma canção popular, A barata diz que tem, foi criado um musical em animação 3D. O texto da versão vai detalhando as características do produto com eficiência: “A barata diz que tem um petisco pro jantar (…)”, “É só chegar e encostar (…) elas vão se amontoar”, “A barata diz que trouxe a surpresa que matava”, e o reforço de “Com Baygon a festa acaba”.

Usando as baratas, foi possível detalhar todo o processo de funcionamento do produto nas primeiras cenas e depois demonstrar sua funcionalidade a partir do desenvolvimento do musical. Fechando com a assinatura: “Neste Halloween, até as baratas vão ter medo de barata”.

Prata

O Encosto – Caloi – Agência D’OM

Gosto da qualidade do filme criado para uma ação tão pontual pela agência D’OM para a Caloi. O texto brilha no título, “O Encosto”, ou ainda na expressão “Baseado em bikes reais”, e vai construindo a narrativa com “Não me deixa no escuro” ou “Me tira daqui”.

A direção de imagens cria o clima de abandono, enquanto fica por conta da trilha sonora trazer todo o universo do terror, com fortes referências aos clássicos do gênero. Um trabalho muito bem executado, que fecha com a assinatura e conclui a ideia criativa: “Nesse Halloween, toda bike tem o direito de ir para a rua”.

Prata

Mãe e Filha – TikTok – AKQA

Gosto muito deste filme, aqui no formato vertical, mas que conta com uma versão no formato tradicional. A narrativa é envolvente e vai demonstrando a eficiência do aplicativo, mas gosto da ideia de explorar Fernanda Montenegro na ação principal, deixando Fernanda Torres com menos protagonismo, dando um recado sutil de que o TikTok pode ser útil em qualquer idade.

A edição mostra toda a funcionalidade e a utilidade do aplicativo. O texto destaca os pontos principais: “Aos 97 anos, você sabe muito, mas ainda tem mais para descobrir”, ou “Depois vêm os apetrechos, os segredinhos para adubar”, ou “Quando vê, virou mãe de planta”. Para fechar com uma ótima assinatura: “Sua próxima descoberta te espera no TikTok”.

Ouro

Prevenção sem vergonha – Sabin – WMcCann

Mudar hábitos ou convicções é um trabalho complexo. Pense em quantas vezes você mudou de ideia na sua vida. No fundo, nós gostamos de fortalecer nossas crenças, pois isso nos faz bem.

Usar uma cientista para demonstrar que alguns conceitos não têm fundamento foi uma escolha muito acertada da WMcCann para a Sabin, para orientar o consumidor a partir de assuntos banais, com pouca importância, até chegar, de fato, à prevenção.

Gosto de algumas sutilezas: “Mitos que eu acreditava antes de ser cientista”, e o principal: “E qual é o nível de vergonha que sinto deles”. Gosto de o texto partir de algo bem banal para ir avançando em assuntos até chegar ao objetivo central da ação: “Para que eu vou ao médico se eu não estou sentindo nada?” ou “Tem muitas condições, doenças que podem evoluir de forma silenciosa, sem causar sintomas”.

Meu destaque maior é para não termos nenhuma chamada para a ação. Apenas o fechamento com a sabedoria de nossas avós.

Ouro

O susto para aqui – Sem Parar – Equipe de marketing Sem Parar

Outro filme produzido no formato vertical, orientado para as redes, com Ary Fontoura como protagonista. Aos 93 anos, o ator conquistou admiradores nas redes sociais, com mais de 7 milhões de seguidores no Instagram.

A peça funciona bem ao relacionar o terror com situações corriqueiras que os consumidores podem vivenciar com seus automóveis. A narrativa demonstra a funcionalidade do produto, o aplicativo do Sem Parar, que oferece assistência para seus segurados.

Com um texto que usa o humor para destacar o terror: “Ainda bem que para isso eu sei para quem pedir ajuda”, ou “Acabou o susto”, ou “Terror é não ter com quem contar”, ou ainda “Peça sua tag com proteção 24 horas”. Fechando com: “Sem Parar tem tudo para o seu carro”.

Grand Prix + Ouro

Pesadelo da Concorrência – Bob’s – Artplan

O filme criado pela Artplan para o Bob’s alfineta a concorrência com o uso de um palhaço nas suas cores, aproveitando a referência da mascote do McDonald’s.

O filme, no formato vertical, criado para as redes sociais, usa a linguagem do terror, “Vai causar pânico”, posicionando um dos maiores sucessos da rede de fast-food: “Milk Shake do Bob’s, o pesadelo da concorrência desde sempre”, e gerando uma ação promocional: “Halloween Bob’s: comente com emoji de palhaço e descubra o que tem no cupom misterioso”.

Um filme que parece ter sido criado a partir de ferramentas de inteligência artificial, numa solução que apresenta boas imagens conectadas por uma locução que cria todo o clima e fortalece a ação. Uma bela provocação, com bom humor, que vale meu destaque.

Grand Prix + Ouro

Faro Afiado – Revista Piauí – Monkey Land

Um texto ótimo que defende o papel do jornalismo profissional e posiciona a revista Piauí na celebração de seus 20 anos. Gosto muito da escolha pela animação, pois ela dialoga com os ilustradores que produzem a revista e ajuda a criar a perspectiva do olhar a partir do ponto de vista do nariz, mostrando de onde vem o faro.

Merece destaque também a escolha de Selton Mello para narrar o texto que brilha: “Começou com uma coceirinha”, “Uma vontade assim de limpar o salão”, ou então “Senso de justiça, coisa de jornalista”, para caminhar para “Você não está só”, ou posicionar o trabalho: “Quanto mais ridículo o assunto, mais sério o tratamento”. Para fechar, posicionando: “O importante é ser dono do seu nariz” e “Revista Piauí, 20 anos de faro afiado”.

Vejo a todo momento postagens ou textos que afirmam que não se criam mais filmes publicitários como no passado. Este estudo nasceu da provocação de entender se isso era verdade ou não. Após dez meses, já selecionei 89 filmes que entendo que são muito bons. Entre tantos que vi, entendo que posso afirmar que nossa média no ano é muito boa. Desafio você a assistir à lista deste mês e avaliar por conta própria.

Se quiser conferir as seleções de janeiro a setembro, é só buscar minhas colunas aqui no Creativosbr.

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