Outro dia, explicando minha rotina de produção desta coluna e valorizando meu esforço a um colega, ele me surpreendeu com uma ideia. Ele me orientou a criar um agente em uma ferramenta de inteligência artificial para produzir meus textos.
Pensei que não tinha entendido e pedi que ele repetisse. Então, pude confirmar que ele queria que eu automatizasse meu texto. Queria que eu treinasse uma IA para produzir meus artigos.
Eu amo escrever. Por isso, fiquei perplexo. Apesar de muitas vezes estar cansado ou sofrer por dias buscando uma ideia, nada, simplesmente nada, substitui o prazer de reler um texto ainda quente, enquanto ele está tomando forma.
Ou de descobrir que, em alguns momentos, eu cunhei expressões e ideias que, se não são únicas, são notadamente minhas, mas que, quando publicadas, passam a ser de todos nós.
A escrita é uma das formas que temos de disseminar nossas crenças, nossa cultura, nossos preconceitos. Alguns documentos mudaram a história humana, alguns artigos nos trouxeram novas perguntas. Alguns livros nos levaram a novas respostas.
O mais divertido é que tudo isso só faz sentido porque criamos um rito a cada semana. O trabalho de registrar nossos pensamentos de forma coordenada, o envio de uma mensagem para alguém que nem mesmo sabemos quem é. Acima de tudo, um ato de fé.
Seu carinho em buscar semanalmente meus textos criou o hábito que motiva a minha dedicação. Mesmo sem conhecer você, sem nem ao menos saber seu nome, eu quero te agradecer por ler minhas colunas. Você me faz feliz todas as semanas.
Estou há 3 anos escrevendo aqui no Creativosbr. Um total de 1.093 dias corridos, ou 156 semanas. Não escrevi sempre, pois tive períodos de férias e algumas falhas. Esta é a minha 139ª coluna.
Esse é um exercício de puro prazer, algo que me fez um redator melhor e me deu ainda mais habilidade para combinar as palavras, registrando o tempo. Numa época de ferramentas de inteligência artificial, eu prefiro a minha pequena inteligência natural. Este texto que você lê, em geral, é fruto da dedicação de 2 horas semanais, tempo de que preciso para escrever esta coluna.
Este é um compromisso com você, que generosamente me lê a cada semana. Você é a razão da minha dedicação, e o mais divertido é que não tenho o privilégio de conhecer muitos de vocês.
Por muitas vezes pensei em desistir. O ofício de escrever semanalmente requer uma habilidade criativa que nem sempre pareço ter. Escrever, para mim, é sempre fácil. Complexo é decidir sobre o que vou escrever. Em alguns sábados, em geral, o dia que dedico à produção deste artigo, eu sofro sem nenhuma ideia. Já sofri por horas, lutando com conceitos fracos.
A disciplina me ensinou a seguir em frente e finalizar o texto a todo custo. Confesso que muitas vezes publiquei colunas bem ruins, ou que, a princípio, me pareciam bem ruins. Sempre que isso aconteceu, eu ganhei um presente.
A cada texto inseguro, fraco ou sem o brilho necessário, eu recebia algum carinho de vocês. Mensagens simples: “Adorei seu texto”, ou um carinho maior: “Mostrei seu texto para os meus filhos”. Ou um simples emoji num comentário em minha postagem nas redes.
Escrever é mandar uma mensagem ao futuro. Escrever é registrar o tempo, é eternizar ideias.
Quero agradecer a dois amigos que são parte da minha família: Filipe e Guilherme. Vocês me presentearam com este espaço, e devo dizer que tenho me divertido muito.
Nunca deixe de escrever. Continue mandando suas mensagens para o futuro. Talvez você nunca saiba quem vai recebê-las, mas isso não diminui a importância de enviá-las.
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