Fechamos agosto com uma boa qualidade de filmes, mais ou menos na média das seleções que tenho separado desde janeiro. Garimpei muita coisa e acabei fechando a lista com onze filmes, que para mim representam bem a qualidade da nossa criação.
Este mês temos filmes de alimentos, sociais, de redes de fast food, de meio de pagamento, de automóveis e motos, de telefonia e meio de comunicação. Já me acostumei com a constância de algumas marcas e agências, mas fico feliz de ver quatro agências que ainda não estiveram na seleção deste ano: Jordi, Nova, Repense e We.
O mais interessante é que a segmentação dos planos de mídia ou a opção pelo uso de redes sociais deixa estes materiais longe de grande parte do público. Nada errado, apenas a busca por eficiência de mídia, mas talvez você assista alguns filmes pela primeira vez em minha lista.
Como faço desde janeiro, apresento minha crítica classificando os filmes entre ouro, prata e bronze e defino aquele que, para mim, foi o melhor do mês com o Grand Prix. Neste mês temos dois Grand Prix. Fique à vontade para entrar em contato comigo e me enviar outros filmes e/ou questionar minha opinião.
Bronze
Kopenhagen – Ícones – WMccann
Um bom filme, pois entendo que ele se vale da simplicidade para vender sua ideia. Neste comercial da Kopenhagen criado pela WMccann.
O conceito do Ícone está presente em todos os detalhes, da sacola, ao hábito de presentear com chocolate, aos clássicos da marca que passam pelas imagens, mas quem brilha muito é o texto: “sabe o que tem nesta sacola: chocolate”, mas o texto segue e conceitua: “olhando melhor a gente percebe que dentro desta sacola tem tempo” seguindo com: “Na fábrica estão fazendo chocolates, mas lá fora já acontecem abraços, encontros e histórias marcantes.” Para fechar com o conceito Icônica desde sempre.
Prata
Vivo – A vida convida – Galeria
Fiquei na dúvida se incluía este formato na lista. Alguém pode dizer que é uma websérie, não um filme, mas desde o início disse que formatos de vídeo eram minha busca. Portanto mantenho este formato de 3 minutos e 37 segundos, que discute hábitos mas sem uma venda direta.
Eu entendi que sua função é de venda. A Vivo faz tempo que promove bons hábitos de consumo. Gosto do fato deles questionarem o exagero. A ação é parte de um projeto em que a Vivo discute a hiperconexão. O tema deste episódio é a vida convida. Eu gosto do formato de ir à rua e produzir algo que parece espontâneo, de fato fiquei na dúvida de como foi produzido, e isso já é um elogio.
Gosto muito da escolha de Denise Fraga, por conta de seus trabalhos ela tem muita conexão com as pessoas, e isso conta muito quando olhamos para o tema. O texto é muito forte, ele questiona e provoca: “Quando você vê uma foto, você pensa em quem tirou a foto?” Ele brinca com o hábito de tirar foto para lembrar, e acabar esquecendo. A conversa continua: “Será que quando é selfie é você que está ali?” As conversas vão valorizando as pessoas, e com isso repensa o hábito da fotografia. Amei quando o texto fala: “Promete que vai revelar?” ou “Você vai lembrar quem tirou esta foto?”
A ideia de usar uma câmera para tirar a foto final é tão significativa, pois o que a Vivo está fazendo é valorizar a foto. Às vezes banalizamos uma ação. O truque da selfie final do espelhinho é brilhante.
Bronze
Starbucks – Zamp – Pumpkin Spice – Almap BBDO
Gosto muito do uso da atendente do Starbucks, e da escolha de relacionar ótimas imagens da operação, numa direção de imagens que aproxima o consumidor com o dia a dia da loja. Algo que ele conhece bem. E destaco algo muito importante, uma qualidade: saber ouvir nossos consumidores.
O texto ganha prioridade com uma narração precisa: “Esse não é um pedido como todos os outros” que define muito da comunicação e é corretamente complementado com o @ dos clientes e seus comentários nas redes. Todos pedindo a volta do produto Pumpkin Spice. Gosto ainda mais de “Gente que esperou meses, e até anos para que seu pedido fosse realizado”.
Uma construção simples que cresce na assinatura: “você esperou por eles” e “agora eles estão esperando por você”.
Prata
TMC – Saia da Bolha – Agência Jordi
Um dos nossos desafios atualmente é garantir a qualidade da informação que consumimos. Para vender a TMC, que não se define mais como uma simples rádio, mas sim uma plataforma de informação.
Com uma edição de imagens que parecem ter sido geradas por Inteligência Artificial, o texto do narrador pontua com qualidade: “Quando foi que a gente começou a viver preso nas mesmas opiniões”, ou ainda “Quando foi que o mundo se tornou só aquilo que cabe dentro do nosso feed”, ou melhor “Voltar a se conectar com o que realmente acontece no mundo”, para a provocação final: “saia da bolha”.
Um bom trabalho que usa conceitos para criar um conceito, acredito que fruto de uma boa parceria entre o planejamento e a criação.
Prata
Coqueiro – pense fora da lata – Lola/TBWA
Quando vivemos uma revolução no consumo de alimentos com grandes mudanças no comportamento dos consumidores é importante entender padrões de consumo.
Gosto da edição de imagens e na forma como a criação usou o atleta Ítalo Ferreira, mas o grande acerto é a integração dos pontos que o planejamento deve ter levantado nos textos: “A gente tem que pensar diferente”, ou ainda “Sempre pensei fora da lata”, para fechar com “Proteína é Coqueiro”, para assinar: “Coqueiro, pense fora da lata”.
Quando grande parte da população está vivendo a rotina de dietas e redução de consumos, lembrar que os produtos da Coqueiro são proteínas pode fazer grande diferença.
Prata
Instituto Nós Por Elas – Delegacias da Mulher 24 horas – Agência Nova
Existem construções que são tão fortes que comunicam sem passar a mensagem toda. Penso que é o caso desta campanha feita para o Instituto Nós Por Elas pela agência Nova.
Um conceito que nasce provavelmente da definição do objetivo da campanha. Impactar a sociedade para uma mudança. Infelizmente algo que não vemos nos discursos das campanhas de nenhum dos candidatos, mas algo muito simples: transformar as Delegacias da Mulher em operações 24 horas.
Gosto da ideia que compara outros serviços que passam a ser 24 horas para nosso conforto com uma necessidade: “Quando uma mulher precisa de proteção”. O filmes cresce no bom uso da imagem e do corte da luz, no fechamento com a questão. Uma forma inteligente de provocar o nosso povo.
O lettering final com dados de pesquisa, provavelmente uma ótima contribuição do planejamento, reforça todo o conceito.
Ouro
Yamaha – Ela vai ligar você – Almap BBDO
Um show de imagens para quem gosta de moto. Numa edição que parece buscar a sensação de dirigir. Que traz a essência das pistas da competição. Um comercial que funciona para qualquer consumidor, mas que fala mesmo com o público aficionado.
Ele traz a linguagem de quem ama a vida em duas rodas, através do depoimento em performance dos pilotos Bernardo Tibúrcio, Humberto Maier, Tropak Razgatlioglu e Carlos Campano.
A escolha das imagens é pontuada por um texto que descreve a emoção das pistas. Gosto da direção de imagem que mistura a pouca luz, com azul e marrom. O texto ágil vende o conceito: “Para que mais você liga? Liga para os tombos, liga para o tempo, liga para as brigas, para o que você liga… De viver na lama, de ficar sozinho.”
As imagens trazem a força do esporte combinado com o prazer de pilotar nas ruas. Até que o texto chega: “não você liga só para uma coisa”, momento que a imagem chega na bandeira quadriculada e no pódio para finalizar: “e só uma Yamaha vai ligar você”, para assinar: “Yamaha, ela vai ligar você”.
Ouro
Burger King – Zamp – Dois empregos – Almap BBDO
Um acerto da comunicação de varejo é a constância. E neste estudo que faço desde o início do ano o Burger King (Zamp) está sempre presente. Alguém já disse que quem é visto é lembrado, mas o grande desafio é buscar qualidade nestas presenças.
A ideia base aqui me conquistou de pronto, buscar o garoto propaganda da Shopee, o ator Terry Crews, para uma ação conjunta do BK com a marca de e-commerce. O uso de Terry e da marca Shopee já ajuda a comunicar, traz para a ação o efeito da promoção, e comunicar rápido é sempre uma boa solução.
O texto ajuda muito com: “Eu tenho dois empregos” e “Dessa vez se você não comprar nada o desconto é menor” ótimos. Destaco que além da boa ideia a ação ampliada entre as redes gera um benefício muito maior, a vantagem é que se esta experimentação deve gerar dados importantes para que as marcas trabalhem juntas outras vezes.
Ouro
Instituto Natura / Avon – Chame pelo nome – Repense
Muito se fala do futuro da construção das marcas. De como vamos trabalhar o branding, com um consumidor cada dia mais distante e difícil de conectar. Entendo que hoje as marcas precisam ter personalidade. Precisam assumir posições. É esse o caso da comunicação do Instituto Natura Avon neste trabalho da agência Repense.
Gosto muito da produção de imagens, pois o planejamento e a criação da Repense souberam traduzir no vídeo algumas dores que as mulheres muitas vezes vivenciam sozinhas. Num texto forte, eu destaco a narração, com um parabéns especial pela escolha da narradora, que interpreta muito bem o texto:” Existem violências que não deixam marcas na pele, mas ferem a alma”, ou o ponto mais forte: “Se disfarçam de amor, de piada, de proteção, estão por toda a parte” para fechar com conceito: “Sim, é violência, Chame pelo nome, reconhecê-la muda tudo.”
Grand Prix + Ouro
Mastercard – Aproxima e vai: um desafio no metrô – WMcCann
Eu já gosto da recomendação chegar logo no início do filme, pois entendo que ela reforça toda a grande ideia: “Este desafio foi realizado por profissionais. Nunca corra no Metrô”. Aproveito por parabenizar o cliente pela coragem da aprovação.
O desafio que coloca um atleta a descer de um trem numa das linhas do metrô de São Paulo para tentar pegar o mesmo trem na outra estação, por si só já prende a atenção, por ser uma bela ideia.
A edição de imagens é pontuada por textos na tela que ganham vida pelos gráficos e mostram a diferença entre o corredor e o trem. A direção de imagens é muito boa, alternando diversos pontos de vista e criando a competição, sem se preocupar em explicar o motivo da ação. O filme de 3 minutos e 47 segundos traz a sensação de realidade pelo acompanhamento em tempo real.
Tudo pensado para demonstrar o pagamento direto com o cartão Mastercard nos bloqueios do metrô, para o fechamento: “Abra a porta para mais agilidade. Aproxime seu Mastercard na catraca”, e ainda gosto mais: “Um obstáculo a menos no seu dia: não tem preço”.
Grand Prix + Ouro
BYD – Haters vs BYD – Agência We
Gosto da ideia pois entendo que ela aproveita tudo que o planejamento trouxe sobre a resistência na compra de um carro elétrico. Gosto também pois foge do modelo que parece ter infestado a comunicação automotiva: carros rodando, musiquinha e listagem de acessórios.
Adoro a ideia de aproveitar um formato consagrado na internet: “30 contra 1”, só que de forma brilhante a única pessoa que defende o ponto de vista diferente é o próprio modelo BYD que em silêncio se apresenta.
O filme fica divertido e funciona pela ótima direção de atores, que simulam haters com todas as rejeições, que vão sendo rebatidas a cada descoberta: “Isso aqui não chega nem na padaria”, “mais um carro a pilha”, “Faz oito por litro, no máximo” ou o mais clássico: “eles te vendem isso aí e vão embora”. Até este ponto, quando as qualidades são reveladas: “fabricado no Brasil”, “super-híbrido” ou “faz até 43 quilômetros por litro”. Até chegar no: “quem é que compra um carro deste?” A hora que o hater tira sua identificação, e assume que é lover, para fechar com a assinatura “o SUV mais amado pelos haters da BYD”.
Aproveito para reforçar que esta é uma análise pessoal. Ela faz parte de um estudo que tenho feito para comparar a qualidade da criação atual com os filmes do passado que construíram a imagem da nossa publicidade no mundo. Deixo a decisão por sua conta, mas penso que venho provando mês a mês que nossa qualidade anda muito bem.
Se quiser conferir as seleções de janeiro a julho, é só buscar minhas colunas aqui no CreativosBr.
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