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Fonte: divulgação Shrinking 3 - Apple TV

As melhores coisas da vida

Passei boa parte desta semana pensando em quais são as melhores coisas da vida. Queria entender esse mecanismo que nos dá satisfação. Não quero falar de felicidade, pois entendo que este é um conceito muito amplo e complexo. Quero falar das coisas que nos fazem bem, que nos dão prazer e que, por isso, valorizamos e aprendemos a repetir.

Não quero cair na cilada de escrever um texto sobre as dez melhores coisas da vida. Seria fácil. Enquanto escrevia, fiz com facilidade a minha lista, sem pensar muito, mas ela seria por demais particular. Notei, porém, que este exercício é muito interessante. Portanto, quando terminar a leitura, faça a sua lista. Tenho certeza de que a experiência será interessante.

Nas minhas dez melhores coisas da vida, você vai encontrar sorvete, mas cinco das dez têm uma relação direta com pessoas e relacionamentos, e penso que isso não é um mero detalhe.

Pesquisando, descobri que estudos publicados entre 2025 e 2026 mostram que a satisfação com a vida depende menos de conquistas e mais de experiências cotidianas. Um estudo do Journal of Happiness Studies analisou três grandes painéis europeus e concluiu que as amizades aumentam significativamente a satisfação ao longo do tempo.

Outro estudo, da Scientific Reports, de 2026, encontrou associação entre refeições compartilhadas e bem-estar. Segundo os pesquisadores, a frequência com que as pessoas comem acompanhadas explica diferenças de satisfação em magnitude semelhante à de fatores como renda e desemprego.

É impossível falar das coisas boas da vida sem pensar em dinheiro, que, para muitos, é o principal catalisador para chegar às melhores coisas da vida. Uma pesquisa da Nature Human Behaviour, que ouviu 71 mil pessoas, mostrou que a renda está mais relacionada à sensação de bem-estar. Portanto, ter posses ajuda, mas não explica, sozinho, uma vida boa.

Para mim, existe grande satisfação em partilhar, pois, na minha lista, até encontro coisas que posso realizar sozinho, mas, na grande maioria das minhas escolhas, o convívio com outras pessoas é fundamental.

Hoje penso que vivemos algumas epidemias. A solidão é uma realidade, especialmente nas grandes cidades, e a depressão é uma doença que atinge grande parte das pessoas no mundo. Gostei muito da série Shrinking, da Apple TV+, que me surpreendeu positivamente por abordar esses dois temas de forma muito corajosa.

A série usa o humor, provocando boas risadas, para, em seguida, nos levar a fortes reflexões sobre luto, amizade, família e o significado de viver. Com atuações incríveis, das quais destaco Harrison Ford, interpretando o terapeuta Paul Rhodes, ela também representa uma importante forma de letramento, pois nos ensina a compreender a realidade do isolamento que vivemos hoje.

Entendo que precisamos ter coragem para falar sobre temas difíceis, pois vivemos em uma sociedade com pessoas cada vez mais confortáveis em bolhas de solidão. São ótimas pessoas que estão doentes, mas ainda não se deram conta disso.

Hoje nos cercamos de vantagens modernas que evitam o contato físico ou mesmo a necessidade de comunicação. Nos comunicamos por texto ou por áudio e podemos pedir comida sem precisar falar uma palavra com ninguém. 

Fico com medo de ler a lista das dez melhores coisas da vida dessas pessoas e perceber que, em sua maioria, vou encontrar apenas coisas que podemos fazer sozinhos. Digo isso porque eu passo muito tempo sozinho. Se pensar no tempo que passo dormindo ou me exercitando, esse é o maior tempo da minha vida. Por conta disso, tenho me obrigado, há algum tempo, a promover encontros regulares e, por causa deles, tenho aprendido a perder tempo no trânsito ou em filas. O resultado final para mim tem sido muito bom.

Queria hoje lhe vender uma ideia: partilhe mais. Coloque no plural as coisas da sua lista. Tenha coragem de fazer diferente da próxima vez, mude o rumo das suas escolhas. Ter mais contato com outras pessoas vai te surpreender.

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