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Fonte: Reprodução Unsplash

Coragem para desaprender

Nesta semana tive o privilégio de tomar um café com um amigo. João Riva é publicitário, empreendedor e, acima de tudo, um fazedor. Nos encontramos em uma padaria e passamos algum tempo conversando sobre a vida, os negócios e os desafios que enfrentamos.

Tenho investido tempo em conversas, em sua maioria presenciais. Faço isso regularmente. Praticamente todas as semanas me reúno com alguém da minha rede. É uma forma de manter conexões vivas e fortalecer relacionamentos que considero importantes.

Dá trabalho atravessar a cidade, coordenar agendas e reservar tempo para uma conversa. Mas hoje, para mim, esse exercício é quase tão fundamental quanto respirar. Sei que você pode estar sorrindo ao ler isso, mas queria provocar uma reflexão sobre o que temos perdido em uma vida cada vez mais mediada por telas.

Grande parte do que consumimos hoje está associada a vídeos, podcasts, artigos, cursos e postagens. Nunca tivemos tanto acesso à informação. Mas, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, aprender não é simplesmente acumular conhecimento.

Aprender é confrontar ideias, ouvir experiências diferentes e reorganizar nossas próprias convicções. Precisamos de coragem para renunciar ao conforto das nossas certezas. Desaprender não é nem um pouco confortável. Mas, muitas vezes, a maneira mais rápida de absorver novos conceitos é abandonar crenças antigas.

Na sexta-feira, passamos uma hora e meia conversando. Nenhum slide. Nenhuma gravação. Nenhuma pergunta feita a uma ferramenta de inteligência artificial. Apenas duas pessoas trocando experiências e reflexões.

Duas pessoas que se respeitam o suficiente para dizer: “Desculpe, mas você está fazendo besteira” ou “Talvez eu não esteja conduzindo isso da melhor forma”.

Quando seguimos para nossos compromissos, ambos tivemos a sensação de ter ganhado muito. João foi confrontado em algumas de suas convicções, e eu tive o privilégio de ouvi-lo questionar minhas ações e minhas ideias. Como bom crítico que é, fez questão de bagunçar algumas das minhas certezas.

Todos os dias ouvimos o que influenciadores, especialistas e criadores de conteúdo pensam. Não há nada de errado nisso. Mas esse é um fluxo de informação que nem sempre gera comunicação. Na maior parte do tempo, somos espectadores passivos de ideias prontas.

Por isso, gostaria de lhe fazer uma recomendação simples para a próxima semana: reserve noventa minutos para ouvir alguém que você realmente respeita.

Precisamos voltar a aprender a aprender. Ou, talvez de forma ainda mais revolucionária, precisamos desaprender. Ter coragem de descobrir perspectivas diferentes das nossas.

O mais interessante é que, ao final daquela conversa, fiz duas ligações para convidar outros amigos para almoçar comigo na semana seguinte. Eu queria continuar pensando sobre aquelas perguntas.

E isso só aconteceu porque algumas ideias mudaram de lugar dentro da minha cabeça. As provocações do João não me deram respostas. Elas me deram perguntas melhores.

Grande parte do valor daquele encontro veio da possibilidade de testar pensamentos em voz alta, ouvir contrapontos sinceros e enxergar caminhos que eu não estava vendo sozinho.

Os melhores amigos não entram em nossa vida para confirmar nossas certezas. Sua maior contribuição é justamente bagunçar nossas convicções.

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