No segundo dia do São Paulo Innovation Week, debates sobre afeto, mente humana, saúde social e liderança mostraram que o futuro do trabalho, da ciência e da tecnologia depende também de presença, pertencimento e relações de confiança
O segundo dia do São Paulo Innovation Week coloca o humano no centro da inovação. Em uma programação que, no início da tarde, reuniu Fabrício Carpinejar, Suzana Herculano-Houzel, Marcelo Gleiser e lideranças do Lounge Coeficiente Feminino, o festival ampliou o debate sobre tecnologia para discutir aquilo que sustenta qualquer transformação real: relações de confiança, saúde social, presença, pensamento crítico e capacidade de aprender.
No Lounge Coeficiente Feminino, o painel “O Poder do Nós – Liderança e Saúde Social”, com Simone Murata, Helena Tenório e Liliane Rocha, mediado por Maria Cândida, abriu uma reflexão sobre o papel dos vínculos no ambiente de trabalho. A conversa partiu da ideia de que saúde social é um dos pilares do bem-estar, ligada à capacidade de construir relações de confiança e ao sentimento de pertencimento a uma comunidade.
As painelistas defenderam que não existe performance sustentável sem saúde mental e social. Metas, KPIs e resultados financeiros dependem de equipes que se sintam bem, ouvidas e seguras para contribuir. A discussão também abordou o presenteísmo, provocado pela pressão permanente por respostas imediatas, e a necessidade de criar ambientes psicologicamente seguros, nos quais as pessoas possam discordar, propor soluções e inovar sem medo.
Essa mesma chave — a inovação como construção de vínculos — apareceu na palestra “Inovação pelo afeto: que ninguém seja invisível ao seu lado”, de Fabrício Carpinejar. Em uma fala marcada por humor, memória e emoção, o escritor provocou o público a refletir sobre uma vida em que todos estão conectados o tempo inteiro, mas nem sempre presentes para quem está ao lado.
Carpinejar afirmou que a felicidade exige presença e que a simultaneidade virou uma armadilha contemporânea. Ao falar sobre saudade, silêncio, memória, infância e relações familiares, ele defendeu que não deixar ninguém invisível é também uma forma de inovação. Para o escritor, a fragilidade pode ser mais protetora do que a força, porque permite pedir ajuda, dividir angústias e romper o isolamento.
Se Carpinejar levou o público a olhar para o afeto, Suzana Herculano-Houzel trouxe a neurociência para explicar o potencial da mente humana. No painel “Pensar melhor para viver melhor: o futuro da mente humana”, em conversa com Marcelo Gleiser, a neurocientista usou a metáfora do LEGO para diferenciar capacidade biológica de habilidade. Segundo ela, o cérebro humano é formado pelas mesmas “peças” presentes em outros mamíferos, mas em quantidade muito maior.
A diferença, explicou Suzana, está no que se constrói com essas peças. “Capacidade não é habilidade. Habilidade é no que essa capacidade se transforma. E isso leva tempo”, afirmou. A partir dessa reflexão, a cientista mostrou que a complexidade humana exige maturação, infância prolongada, cuidado e aprendizagem. Em outras palavras, o futuro da mente não depende apenas de velocidade, mas da capacidade de dar forma e sentido ao potencial que cada pessoa carrega.
A programação também aprofundou os dilemas da liderança contemporânea no painel “O que ninguém fala sobre liderar”, com Nathalia Garcia e Thais Azevedo, mediado por Caroline Marcon, no Lounge Coeficiente Feminino. A conversa tratou de carreira, autenticidade, pertencimento, maternidade, culpa e saúde mental, defendendo uma liderança sustentada por valores reais — e não apenas por cargos, aparências ou narrativas de autoridade.
As painelistas diferenciaram pertencimento de encaixe. Pertencer é poder ser quem se é; encaixar-se é se esforçar permanentemente para agradar e ser aceito. O debate também trouxe o conceito de “burnout ético”, uma exaustão silenciosa em que o profissional deixa de questionar, contribuir e participar, entrando em modo de sobrevivência. Para as participantes, liderar exige consciência, planejamento, desapego do crachá e coragem para construir uma trajetória coerente com a própria identidade.
Ao conectar afeto, neurociência, saúde social e liderança, o SPIW reforçou uma das mensagens mais fortes de seu segundo dia: inovação não é apenas criar novas tecnologias, acelerar processos ou antecipar tendências. É também pensar melhor, viver melhor, liderar com mais consciência e construir ambientes nos quais as pessoas possam existir com presença, confiança e pertencimento.
Sobre o São Paulo Innovation Week (SPIW)
O São Paulo Innovation Week (SPIW) nasce como um dos principais festivais de inovação do país, aproveitando a força de São Paulo como um dos grandes hubs globais do setor. Realizado de 13 a 15 de maio de 2026, no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento deve reunir mais de 90 mil participantes em uma programação que conecta líderes empresariais, empreendedores, investidores, acadêmicos e representantes do poder público. Com uma agenda estruturada em múltiplas trilhas — como inteligência artificial, transição energética, economia digital, cidades inteligentes e futuro do trabalho — o SPIW se posiciona como uma plataforma de conteúdo, conexões estratégicas e geração de negócios, refletindo o peso econômico e a capacidade de inovação da maior cidade da América Latina.
O SPIW conta com grandes patrocinadores e parceiros como Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, GWM, Stellantis, Vale, Sabesp, Rede Américas, FNT Telecomunicações, BAT Brasil, Fiesp, Senai, Ade Sampa, Prodam, SP Negócios, InvestSP, FAAP, Faesp, Apex Brasil, Basf, Einstein Hospital Israelita, Febraban Tech e Suzano. Parceria de tecnologia de Oracle, Meta, Motorola, PD7 Tech e Resecurity. A realização é da Base Promoções, do Estadão e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet.
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