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Fonte: Jhony Inacio/Estadão/Divulgação

Dmitry Muratov alerta no SPIW: “A mentira custa barato. A verdade custa vidas”

Em conversa com Caco Barcellos, Nobel da Paz defende liberdade de imprensa, transparência dos algoritmos e recoloca os direitos humanos no centro do debate sobre tecnologia e democracia

Em um momento em que democracias de diferentes partes do mundo enfrentam a pressão combinada da desinformação, da polarização digital, da censura e do avanço de discursos autoritários, o São Paulo Innovation Week recebeu uma das vozes mais simbólicas da defesa da liberdade de expressão no mundo: Dmitry Muratov, jornalista russo, cofundador da Novaya Gazeta e vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2021.

Em conversa conduzida pelo jornalista Caco Barcellos, no painel “Coragem e Liberdade: Histórias que Transformam”, Muratov fez um alerta duro sobre o novo ambiente informacional. Para ele, a mentira se tornou mais rápida, barata e atraente do que a verdade, especialmente quando impulsionada por algoritmos, inteligência artificial e plataformas digitais desenhadas para capturar atenção. “A mentira custa barato. A verdade custa vidas”, afirmou.

O debate ganhou peso adicional por acontecer dentro do SPIW, festival que tem o Estadão como sócio e que se propõe a discutir inovação não apenas como tecnologia, mas como força social, política, cultural e institucional. Ao levar ao palco um jornalista perseguido pelo regime russo e declarado “agente estrangeiro” em 2023, o evento colocou a liberdade de imprensa no centro da agenda contemporânea da inovação. Muratov afirmou que o principal produto da economia digital passou a ser a atenção humana, e que as plataformas aprenderam a monetizar medo, ódio e mentira com enorme eficiência. “Nosso principal produto hoje é a atenção, e os algoritmos aprenderam que o ódio e a mentira geram mais cliques do que a verdade”, disse o jornalista, ao defender mecanismos de controle público sobre os sistemas que organizam a circulação de informação.

Fonte: Jhony Inacio/Estadão/Divulgação

Durante a entrevista, Muratov também cobrou mais transparência das grandes plataformas digitais. Para ele, sociedades democráticas não podem aceitar que sistemas capazes de influenciar eleições, comportamentos, reputações e decisões públicas operem como caixas-pretas. “Os algoritmos das redes sociais devem ser abertos e acessíveis. Caso contrário, nos tornamos objetos de manipulação”, afirmou.

O jornalista também relacionou a crise da informação ao enfraquecimento dos direitos humanos e ao avanço de regimes autoritários. Ao falar sobre guerra, presos políticos, perseguição a jornalistas e censura, Muratov defendeu que a proteção da vida deve voltar a ser o princípio central das decisões políticas. “Para os ditadores, o direito à morte é o importante. Para nós, o que importa é o direito à vida”, declarou.

A presença de Muratov no SPIW reforça uma das mensagens centrais do festival: a inovação do futuro não será medida apenas por novas ferramentas, mas pela capacidade de proteger valores fundamentais em um mundo cada vez mais mediado por tecnologia. Em tempos de inteligência artificial, guerras de narrativa e erosão da confiança pública, liberdade de expressão, jornalismo e direitos humanos deixam de ser temas paralelos e passam a ocupar o núcleo da discussão sobre o futuro das sociedades democráticas.

Sobre o São Paulo Innovation Week (SPIW)

O São Paulo Innovation Week (SPIW) nasce como um dos principais festivais de inovação do país, aproveitando a força de São Paulo como um dos grandes hubs globais do setor. Realizado de 13 a 15 de maio de 2026, no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento deve reunir mais de 90 mil participantes em uma programação que conecta líderes empresariais, empreendedores, investidores, acadêmicos e representantes do poder público. Com uma agenda estruturada em múltiplas trilhas — como inteligência artificial, transição energética, economia digital, cidades inteligentes e futuro do trabalho — o SPIW se posiciona como uma plataforma de conteúdo, conexões estratégicas e geração de negócios, refletindo o peso econômico e a capacidade de inovação da maior cidade da América Latina. O SPIW conta com grandes patrocinadores e parceiros como Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, GWM, Stellantis, Vale, Sabesp, Rede Américas, FNT Telecomunicações, BAT Brasil, Fiesp, Senai, Ade Sampa, Prodam, SP Negócios, InvestSP, FAAP, Faesp, Apex Brasil, Basf, Einstein Hospital Israelita, Febraban Tech e Suzano. Parceria de tecnologia de Oracle, Meta, Motorola, PD7 Tech e Resecurity. A realização é da Base Promoções, do Estadão e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet.

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