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Fonte: Reprodução Unsplash

Precisamos aprender a descansar

Cercados por impulsos, fica cada vez mais difícil descansar. Ainda vejo gente que dorme com o celular ao lado da cama e me surpreendo. Precisamos aprender a desligar. Precisamos de pausas. Precisamos aprender sobre descanso. Os sinais de fadiga nem sempre estão relacionados apenas ao sono. Será que você sabe mesmo descansar?

É importante reafirmar que o sono é fundamental. Inegociável, ele recupera a memória, promove a limpeza neural e contribui para a nossa recuperação metabólica, mas não cobre tudo. Pesquisas recentes apontam que o descanso é multidimensional. Nos dias de hoje, precisamos pensar em recuperação cognitiva, emocional e até sensorial.

Descansar envolve pausas, mas, acima de tudo, envolve disciplina. Conhecer nossos limites é fundamental. Não negocie seu descanso. Podemos correr para dar conta de uma urgência, mas viver em estado de alerta constante não faz o menor sentido. Sempre existe um preço que pagaremos, e ele é a perda da nossa saúde, em grande parte da nossa saúde mental.

Você sabe que qualquer tipo de atenção constante acaba drenando energia. E esse aparelhinho que foi acrescentado em nossa vida muitas vezes começa a fazer parte do nosso corpo, primeiro como acessório e depois como uma droga que passa a nos manter dependentes. Lembre-se: ele também pode ser desligado.

Hoje vivemos em um regime de 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso é cruel. Vejo pessoas tão presas a essa rotina que nem percebem o preço que estão pagando.

Esse regime de atenção constante, de respostas imediatas, de solicitações e interações sem fim, acaba impedindo você de descansar de verdade. E é por isso que, mesmo quando dormimos bem, podemos acordar cansados. A fadiga pode ser mental, emocional e até social.

A ciência recente já trata o descanso como algo composto por diferentes dimensões. Precisamos dormir, precisamos do descanso físico, mas também precisamos de descanso mental. Observe que, quando temos algo importante para produzir, muitas vezes são nas pausas que as grandes ideias chegam. O descanso criativo consiste em mudar os estímulos; se afastar da questão acaba nos levando a novas soluções.

Precisamos de descanso emocional. É impossível ficar em alerta e performando sempre. Precisamos de pausas para retomar a concentração. Podem ser pequenas pausas, você pode usar a meditação, mas é impossível manter a concentração o tempo todo com performance. Com o tempo, seu nível de atenção e a qualidade de suas respostas caem, é fato.

Precisamos estar atentos ao descanso sensorial. Reduzir telas e barulhos é fundamental. Basta apagar as luzes e ouvir um disco. Será que você consegue dedicar alguns minutos para ouvir 10 ou 12 músicas sem interrupção? Isso é descanso, é descanso bom.

Precisamos de descanso social. Mudar as pessoas, as conversas, as motivações. Podemos trabalhar muito, mas trabalhar o tempo todo não é saudável e não nos ajuda; acabamos cansando das pessoas e dos relacionamentos. Uma hora o corpo falha e, quando percebemos, já estamos doentes ou nos transformando em pessoas difíceis.

Às vezes, só precisamos parar por 10 ou 15 minutos para uma caminhada no meio do dia. Uma volta no quarteirão, um passeio no shopping. Faça seu almoço acontecer. Gaste de 40 minutos a uma hora almoçando. Lembre-se: esse tempo é seu.

Descanso é responsabilidade sua. Sua saúde é responsabilidade sua. Não delegue. As outras pessoas não vão cuidar de você se você não aprender a cuidar de si.

O primeiro passo é simples: basta aprender a dizer não. O restante, pode ter certeza, é bobagem ou não vai fazer você se sentir melhor por muito tempo.

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