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Fonte: Reprodução Unsplash

Liderar é escolher quem pode te corrigir

Tive a sorte de sempre ter alguém por perto cuidando de mim. Às vezes nem sei por que se interessavam pela minha carreira, mas me davam orientação, conhecimento, experiências e, em grande parte, me contaminavam com sua paixão.

Em algumas ocasiões eles tiveram que me repreender. Eram momentos difíceis, mas entendo que foram os que mais me ofereceram. Esses conselhos são vozes que continuam vivas e ressoam dentro de mim. São como guias que me mantêm no melhor caminho.

Gosto de pessoas próximas que têm atitudes proativas de nos orientar, mesmo quando não pedimos nada a elas. Sempre tomo isso como um carinho.

São pessoas que, ao final de um evento ou de um trabalho, reservam tempo para enviar uma mensagem. Que se lembram de compartilhar um vídeo que só faz sentido para você. São pessoas que cuidam, que têm prazer no relacionamento.

Quando passei a liderar equipes, percebi que isso deixa de acontecer com tanta regularidade. A liderança, em geral, nos deixa mais solitários. Mas foi nesse ponto que aprendi, em um livro, a escolher alguém do meu time e dar a ele a oportunidade de me alertar toda vez que julgasse que eu estivesse pisando na bola.

Minha orientação era que ele me chamasse em segredo para me dar esse retorno. Devo dizer que isso aconteceu algumas vezes em minha carreira, e sempre foi muito bom.

Quando estamos com os pés dentro d’água, fica difícil perceber algumas coisas. Estamos tão envolvidos nos processos que já não notamos a sutileza dos detalhes ou simplesmente perdemos uma visão sem pré-conceitos.

E você, tem pessoas assim na sua vida? Tem, no seu time, alguém a quem deu liberdade para te criticar? Incentiva que amigos próximos façam isso?

Os maiores presentes que recebi em relação ao meu comportamento ou à minha evolução vieram de amigos. Quando eles me procuram para dar sua opinião, eu sempre ouço. Em geral não comento, apenas absorvo aquela informação preciosa.

Um livro de atendimento ao cliente chamava isso de “palavras de ouro”, pois, no dia a dia da relação de consumo, são poucos os clientes que nos procuram para fazer uma crítica. A grande maioria simplesmente procura outra marca e começa outro relacionamento.

Tenha pessoas que possam — e que tenham autorização — para te criticar. São elas que transformam sua carreira. São elas que, em geral, mais torcem por você.

Há alguns anos estabeleci o hábito de, de tempos em tempos, pedir a bons amigos uma avaliação. Algo simples: peço três coisas em que sou muito bom e três que deveria melhorar. Da última vez pedi a sete amigos e apenas três responderam. Já adianto que isso é normal, pois nem todos se sentem confortáveis em dar esse tipo de feedback. Por isso recomendo enviar para um grupo de sete ou mais, para ter pelo menos três respostas.

Faça isso e veja como é algo precioso. Da última vez que fiz, ganhei presentes valiosos. Um, em especial, me tocou muito: um amigo querido me disse que meu problema é estar sempre à frente das empresas em que trabalho. Por olhar tanto para o futuro e para tendências, acabo virando um crítico impaciente. Com o tempo, passo a ser o chato de plantão, sempre repetindo os problemas da companhia — e isso cansa empresas, colegas e empregadores.

O comentário me fez enxergar algo que eu nunca tinha notado. Não tenho paciência para esperar que os outros cheguem aonde eu já estou. E isso, além de rude, só potencializa minha ansiedade. Foi duro ouvir, mas meu amigo foi preciso. Lembrei rapidamente de posições que perdi e de momentos em que me perguntei onde as coisas se perderam. Meu amigo sabia a resposta. Ele me ajudou muito.

Entenda que o convívio é assim: quanto mais relacionamento, mais atrito. É por isso que nos afastamos de algumas pessoas e, ao mesmo tempo, é por isso que andamos próximos de outras. Nem sempre é fácil ou bom. Às vezes pode nos magoar, mas muitas vezes gera carinho, afeto e troca.

Escolha pessoas que possam te corrigir.

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