Li esta semana que as pessoas conseguem manter a atenção em alguma coisa por 8 minutos. Já adianto que isso não é um estudo muito popular, está mais para um mito, pois há outras pesquisas que falam até em 8 segundos. Mas o melhor estudo que encontrei diz que conseguimos nos concentrar em assuntos por 10 a 20 minutos e, depois disso, naturalmente começamos a perder o foco.
O primeiro ponto a ser dito é que isso é normal. Faz parte da vida de cada um, com manifestações diferentes de acordo com a personalidade. Mas queria chamar atenção para algo que incomoda. Existe hábito e existe construção de experiência.
Conversando com um amigo sobre o hábito de leitura, ele me contou que tem sentido mais dificuldade para manter a concentração. Disse que hoje, enquanto lê, acaba fazendo diversas pausas. Percebo o mesmo fenômeno em mim. A vida em telas e os alertas constantes nos condicionaram a estar sempre atentos e, com isso, reduzimos nossa capacidade de concentração.
Essa concentração especial a ciência chama de atenção sustentada (sustained attention). É a capacidade de manter o foco em uma tarefa ou estímulo por um período prolongado, mesmo quando há monotonia, repetição ou poucos estímulos novos.
Isso precisa ser intencional, pois muitas vezes o conteúdo que buscamos é mais denso e exige um esforço maior. Precisamos nos concentrar.
Esse esforço cognitivo e nosso envolvimento são fundamentais. Tarefas que exigem mais esforço cognitivo tendem a gerar atenção mais sustentada. Parece paradoxal, mas o cérebro prefere desafios significativos a estímulos rasos.
Nesta semana, um evento oposto me fez pensar nesse assunto e acabou motivando o tema deste artigo. Recentemente, surgiu no meu feed do Instagram um trecho de um antigo episódio do programa Conversa com o Bial. Nele, o apresentador entrevista Myra Ruiz e Fabi Bang, protagonistas do espetáculo Wicked. O trecho mostra exatamente o momento em que elas cantam a música Ódio.
Não sei se é pela própria música, pois o ritmo e a letra têm uma combinação agradável, típica dos sucessos de musicais, ou se o destaque está na interpretação das atrizes. O resultado é que fiquei viciado na canção. Estimo, de forma totalmente aleatória, que em menos de 24 horas devo ter ouvido e cantado a música mais de 50 vezes. Não se assuste, isso é comum para mim com músicas. Quando eu gosto, é difícil parar de ouvir. O curioso é que, quando elas somem, deixam de reaparecer.
Fiquei pensando nesse estímulo. Busquei a motivação do interesse e tentei entender o que me fez prender tanta atenção em um mesmo assunto por tanto tempo.
A adaptação hedônica é um fenômeno amplamente estudado na psicologia positiva e na neurociência do comportamento. Ela descreve o fato de que qualquer estímulo prazeroso tende a perder força emocional conforme se repete. Neste caso, vivi exatamente o oposto.
Faça pausas, resista à falta de foco e motive seu cérebro para coisas importantes. Nosso cérebro quer ser gentil conosco e poupar energia. Muitas vezes, entra em modo econômico e deixa de gastar energia com algo que parece constante.
Mudanças de tom de voz, imagem, ritmo ou enquadramento; inserção de perguntas, pausas reflexivas ou interações; introdução de histórias. Tudo isso pode ajudar você a se concentrar.
Em resumo: quanto mais pulamos entre estímulos como e-mails, WhatsApp, abas abertas, notificações e vídeos, mais o cérebro perde a habilidade de ignorar distrações. Existem conteúdos que valem seu esforço, disciplina e atenção por mais de 8 minutos.
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