De Monja Coen, Ailton Krenak e Marcelo Gleiser a Neil Redding, festival conectou espiritualidade, saber ancestral, arte algorítmica e liderança em um mundo acelerado pela inteligência artificial
Ontem o São Paulo Innovation Week foi marcado por uma sequência de conversas que ampliaram o sentido da inovação para além da tecnologia. Em diferentes palcos, o festival conectou ciência, espiritualidade, saberes ancestrais, inteligência artificial, criatividade e liderança, em uma programação que colocou o ser humano no centro das transformações em curso.
O percurso começou com o painel “O que é a realidade? Ciência, espiritualidade e sabedoria ancestral em diálogo”, que reuniu Monja Coen, Ailton Krenak e Marcelo Gleiser. A conversa propôs uma reflexão sobre o lugar da humanidade em um mundo atravessado pela aceleração tecnológica e pela crise ambiental. Monja Coen abriu o encontro com uma meditação guiada e reforçou a ideia de interdependência entre todos os seres. “Tudo que nós fazemos, falamos e pensamos mexe na trama da existência”, afirmou. Krenak trouxe a perspectiva dos povos originários e defendeu que a tecnologia precisa ser subordinada à vida. “As tecnologias não podem moldar os humanos. Os humanos precisam moldar as tecnologias”, disse. Gleiser, por sua vez, alertou para o risco de uma inovação desconectada da ética: “A maior ameaça que existe não é a tecnologia, é a cegueira moral dos homens.”

A discussão sobre futuro ganhou contornos corporativos no painel “Coragem para Orquestrar Futuros”, com Neil Redding e Julian Pistone, mediado por Maira Nisi. O debate partiu de um paradoxo cada vez mais presente nas organizações: a inteligência artificial aumenta a capacidade de execução, mas também amplia a ansiedade, a pressão e o peso das decisões humanas. Pistone defendeu que a coragem pode ser treinada, não apenas tratada como uma habilidade abstrata. “Lembrar das batalhas que já vencemos é uma das ferramentas mais eficientes para retomar esse sentimento e avançar com firmeza para as próximas decisões”, afirmou. Neil Redding destacou que, em um ambiente no qual agentes de IA assumem tarefas operacionais, o diferencial humano passa a estar na responsabilidade de decidir. “O que nós nunca poderemos terceirizar para as máquinas é a responsabilidade pela tomada de decisão e a coragem humana necessária para bancar essas escolhas”, disse.
Na sequência, Ferdi Alici, da Ouchhh, levou o público a outro território da inovação com a palestra “Quando os dados começam a sentir: estamos prontos para uma inteligência viva?”. O artista discutiu como inteligência artificial, dados e machine learning vêm transformando a produção artística contemporânea. Para Alici, a IA não deve ser vista apenas como uma ferramenta técnica, mas como uma parceira criativa capaz de ampliar a percepção humana. “Dados são a tinta e algoritmos são o pincel”, afirmou. Em sua apresentação, ele também provocou o público a pensar sobre consciência artificial, arte generativa e a possibilidade de construir, por meio da IA, uma espécie de autorretrato coletivo da humanidade.

O fechamento da tarde ficou novamente a cargo de Neil Redding, com a palestra “Orquestrar ou se Tornar Obsoleto: Liderando o Futuro Próximo Impulsionado por IA”. A fala consolidou um dos eixos mais fortes do dia: em um mundo em que a inteligência artificial passa a executar, analisar e acelerar processos, liderar deixa de ser apenas comandar equipes ou adotar novas ferramentas. Passa a ser a capacidade de orquestrar sistemas, pessoas, dados e decisões em tempo real. A mensagem final foi clara: diante da IA, a obsolescência não virá apenas da falta de tecnologia, mas da incapacidade de redesenhar formas de liderança, colaboração e tomada de decisão.
Ao longo da tarde, o SPIW mostrou que o debate sobre inovação não cabe mais apenas nos limites da eficiência, da automação ou da produtividade. Das provocações espirituais e ancestrais de Monja Coen e Ailton Krenak à arte algorítmica de Ferdi Alici e à visão estratégica de Neil Redding, o festival apontou para uma questão central do nosso tempo: o futuro será definido não apenas por quem domina as máquinas, mas por quem souber preservar consciência, coragem e humanidade no centro das decisões.
Sobre o São Paulo Innovation Week (SPIW)
O São Paulo Innovation Week (SPIW) nasce como um dos principais festivais de inovação do país, aproveitando a força de São Paulo como um dos grandes hubs globais do setor. Realizado de 13 a 15 de maio de 2026, no Mercado Livre Arena Pacaembu e na FAAP, o evento deve reunir mais de 90 mil participantes em uma programação que conecta líderes empresariais, empreendedores, investidores, acadêmicos e representantes do poder público. Com uma agenda estruturada em múltiplas trilhas — como inteligência artificial, transição energética, economia digital, cidades inteligentes e futuro do trabalho — o SPIW se posiciona como uma plataforma de conteúdo, conexões estratégicas e geração de negócios, refletindo o peso econômico e a capacidade de inovação da maior cidade da América Latina. O SPIW conta com grandes patrocinadores e parceiros como Prefeitura de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, GWM, Stellantis, Vale, Sabesp, Rede Américas, FNT Telecomunicações, BAT Brasil, Fiesp, Senai, Ade Sampa, Prodam, SP Negócios, InvestSP, FAAP, Faesp, Apex Brasil, Basf, Einstein Hospital Israelita, Febraban Tech e Suzano. Parceria de tecnologia de Oracle, Meta, Motorola, PD7 Tech e Resecurity. A realização é da Base Promoções, do Estadão e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet.
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